Sexta-feira, 18 de agosto de 2017
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5 perguntas e respostas sobre exercício físico em pessoas com HIV 

Desde os primeiros casos da infecção pelo vírus HIV, a associação entre o treinamento físico e a defesa do organismo (imunidade) tem sido objeto de preocupação e estudo. Inicialmente não recomendado, hoje ele vem sendo cada vez mais cogitado como uma estratégia de terapia não medicamentosa para os pacientes. Isso graças ao avanço do conhecimento sobre a doença e à evolução das medicações.

Neste contexto, faz-se necessário o esclarecimento das suas vantagens e limitações, com vistas à prática de forma adequada e, principalmente, à aquisição e manutenção de um estilo de vida saudável. Abaixo, sintetizei alguns pontos importantes sobre o treinamento físico e a aids na forma de respostas para as cinco perguntas mais recorrentes dos pacientes.

1) Todas as pessoas com HIV/Aids podem se exercitar?
Pode se exercitar aquela pessoa que apresentar condição física para o esforço decorrente do treinamento. Para conhecer essa condição, é necessária a realização de uma avaliação médica. Além disso, uma consulta pode minimizar os riscos (de lesão, por exemplo) e maximizar os benefícios (aumento de massa muscular e força, entre outros) da prática.

Pacientes instáveis clinicamente não devem aderir ou se manterem num programa de treinamento físico. Outro aspecto importante: a avaliação possibilita a comunicação entre os profissionais e, dessa forma, o conhecimento das potencialidades, limitações e necessidades de cada indivíduo que pretende iniciar um programa de treinamento físico.

2) O treinamento físico aumenta a imunidade e substitui a medicação antirretroviral?
Esta pergunta pode ser dividida em duas respostas.
a) Exercício e medicação antirretroviral
O aumento da imunidade é o resultado da diminuição sustentada da carga viral proporcionada pela terapia medicamentosa. Não existem evidências científicas que sustentem a afirmação de que o treinamento substitui esse tratamento. Saliento: a medicação antirretroviral (prescrita por médicos) é a única forma de diminuir a carga viral e, como consequência, aumentar a imunidade dos pacientes.
b) Treinamento e imunidade
Existem estudos clínicos muito bem conduzidos por pesquisadores brasileiros sobre esta temática, porém não é possível afirmar consensualmente, a partir de evidências científicas, que o treinamento aumenta a imunidade.

3) Então quais são os principais benefícios do treinamento?
O treinamento aeróbio (caminhada, por exemplo) aumenta a capacidade cardiorrespiratória, diminui o peso corporal e controla a fadiga. Já o de força (musculação) promove um aumento de massa muscular e força.
Além dos benefícios descritos acima, o treinamento físico pode atenuar os efeitos da síndrome metabólica, como redução dos triglicérides, aumento do HDL (bom cholesterol), melhora da resistência à insulina e do perfil lipídico. São pontos importantes para toda a população — e os indivíduos com HIV não são exceção.

4) Existe algum benefício em treinar apenas um dia por semana?
Não. O adequado é que a pessoa treine alternadamente de dois a três dias por semana. Exercitar-se apenas uma vez por semana não é treinamento —assim como com a medicação, ele precisa de continuidade para gerar adaptação e benefícios. Aquela pessoa que se exercita esporadicamente, além de não obter benefícios desejados, pode se expor a riscos, como lesões musculares.

5) A dor é sinônimo de progresso?
Não. Dor é sinônimo de alerta, que pode ser por exagero ou por algum movimento inadequado. É normal que, no período de adaptação, ou seja, nas primeiras semanas, surja uma pequena sensação de desconforto. Porém, ela não impede a continuidade do exercício e com o tempo deve desaparecer.
Finalizando, o treinamento físico colabora de forma consistente para o aumento da aptidão física relacionada à saúde das pessoas vivendo com HIV. Sem dúvida, ele deve ser encorajado pelos profissionais da saúde.
*Alexandre Ramos Lazzarotto [CREF 002537-G/RS] é profissional de educação física, docente e pesquisador do Mestrado Profissional em Saúde e Desenvolvimento Humano da Universidade La Salle (RS).

Fonte:  Revista Saúde

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