Sexta-feira, 18 de agosto de 2017
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Teses e dissertações - Jorge Steinhilber

Teses e dissertações - Jorge Steinhilber

UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA MOTRICIDADE HUMANA

INSERÇÃO MERCADOLÓGICA DOS EGRESSOS DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

JORGE STEINHILBER


Orientadora: Profa. Dra. Elaine Romero


RIO DE JANEIRO
1999
UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIA DA MOTRICIDADE HUMANA


Dissertação apresentada à Universidade Castelo Branco como requisito parcial à obtenção do grau de Mestre no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Motricidade Humana
Orientadora: Profa. Dra. Elaine Romero


RIO DE JANEIRO
1999
INSERÇÃO MERCADOLÓGICA DOS EGRESSOS DAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Dissertação aprovada como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Motricidade Humana da Universidade Castelo Branco, pela Comissão formada pelos professores:

Prof(a) Dra. Elaine Romero

Prof. Dr. Manuel José Gomes Tubino

Prof. Dr. Lamartine Pereira da Costa

Rio de Janeiro, 9 de agosto de 1999

Dedico este trabalho a todos os profissionais de Educação Física


AGRADECIMENTOS:

A Deus, pela bênção, força, energia e saúde para eu levar a contento tantas realizações;
À Vera, minha esposa e a Shana, minha filha, que souberam compreender minha ausência, auxiliar-me nos momentos difíceis e incentivar-me nas horas conturbadas, dedicando-me muito amor e companheirismo;
À professora Elaine, orientadora paciente que, com toda sabedoria e experiência, estimulou as reflexões críticas e contribuiu valorosamente para que o trabalho fosse conduzido a bom termo;
Aos amigos Sérgio Sartori, Walfrido José Amaral e Ernani Contursi, cúmplices e companheiros de batalha na luta pela conquista da legalização profissional, sempre presentes, incentivadores e estimuladores de tudo o que realizo;
Ao Professor Heron Beresford, novo amigo conquistado, que mostrou um outro lado da vida e nos fez perceber que as soluções de nossos problemas, dúvidas e questões estão dentro de nós mesmos;
Ao Professor Manoel José Gomes Tubino, pela amizade, pela compreensão e pelo permanente estímulo à minha trajetória profissional, levando-me a compreender que, embora sozinho em alguns momentos, devesse continuar a jornada;
Ao Professor Lamartine Pereira da Costa, a quem devo muito de minha trajetória profissional, desde os cursos do EPT, até os dias atuais; que além de acreditar em mim, sempre incentivou-me a nunca desanimar;
Aos meus amigos Rose e Ives Costa, pelo carinho e assistência;
Ao corpo docente da UCB, que orientou meu rumo acadêmico com muita dedicação;
Ao corpo docente e discente do curso de Educação Física das Faculdades Integradas Maria Thereza, pela colaboração e pela participação na coleta das pesquisas;
À Professora Carmencita Borges, pela revisão e pelo florido a este trabalho;
A todas as pessoas, que de alguma forma, contribuíram e partilharam deste momento, e perceberam sua relevância.

SUMÁRIO

 LISTA DE ILUSTRAÇÕES

 

 RESUMO

Capitulo 1

 INTRODUÇÃO

 1.1

 Definição e a concepção identificadora da área
 de Educação Física: recortes históricos.

 1.2

 Delimitação e definição dos limites de atuação do profissional de Educação Física no mercado de trabalho.

 1.3

 Definição e conceituação das sub-áreas que poderiam compor o universo temático da área de Educação Física.

 1.4

 Análise comparativa entre as competências e exigências práxico/teórica para o exercício da profissão e nível de adequação formativa.

 1.5

Objetivo do estudo

 1.6

 Justificativa do estudo

 1.7

 Relevância do estudo

 1.8

 Hipótese e problema do estudo

 1.9

 Questões do estudo

 1.10

 Delimitação e limitação do estudo

Capitulo 2

 O PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA E O MERCADO DE TRABALHO

Capitulo 3

 METODOLOGIA METODOLOGIA

 3.1

 Modelo de estudo

 3.2

 População e formato de seleção da amostra

 3.3

 Instrumento

 3.4

 Procedimentos de coleta de dados

Capitulo 4

 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Capitulo 5

 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

 5.1

 Conclusões

 5.2

 Recomendações

 

 Anexo I

 

 Anexo II

 

 Anexo III

 

 Referências Bibliográficas

 


 Lista de Ilustrações

 1         

 Distribuição das respostas segundo variável sexo e instituição de origem

 2

 Distribuição da amostra segundo o sexo.

 3

 Distribuição da amostra segundo a faixa etária

 4

 Distribuição dos sujeitos segundo a variável estado civil

 5

 Distribuição dos sujeitos em relação aos cursos de formação

 6

 Cursos de pós-graduação ou extensão

 7

 Aprimoramento dos profissionais pesquisados

 8

 Tempo de conclusão dos cursos

 9

 Distribuição dos sujeitos que atuam na área formal e não-formal.

 10

 Distribuição da inserção mercadológica segundo o ano de formatura

 11

 Grau de dificuldade para inserção mercadológica

 12

 Rendimentos dos profissionais

 13

 Média salário-mínimo mensal – área formal

 14

 Média salário-mínimo mensal – área não-formal

 15

 Salário mensal segundo o sexo

 16

 Avaliação da formação

 

RESUMO


O presente trabalho analisa a inserção mercadológica dos egressos das Instituições Superiores de formação em Educação Física, do Rio de Janeiro, formados entre 1986 e 1997. O modelo de estudo foi um survey e a amostra foi composta de 306 egressos, dos cursos de Educação Física do Rio de Janeiro, que responderam a um questionário fechado. Os resultados apontaram quantos profissionais trabalham na área formal e não-formal, detalhando essa distribuição, por sexo, idade e indicando os rendimentos auferidos. O estudo conclui que os egressos têm atuação maior na área não-formal e os rendimentos auferidos nesta área são maiores, quando comparados à área formal.

ABSTRACT

The present work analyzes the marketing insertion of the egresses of the Upper Institutions of formation in Physical Education, of Rio De Janeiro, formed between 1986 and 1997. The study model was one survey and the sample was composite of 306 egresses of the courses of Physical Education of Rio de Janeiro, that had answered to a closed questionnaire. The results had pointed how many professional they work in the formal and not formal area, detailing this distribution for sex, age and indicating the gained incomes. The study conclude that the egresses have bigger performance in the not formal area and the incomes gained in this area bigger when are compared with the formal area.

CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO

1.1 - Definição e a concepção identificadora da área de Educação Física: recortes históricos.

A questão do significado, no sentido pedagógico, em Educação Física, atividade física, ginástica, dança e/ou esporte está inserida na história da civilização ocidental, de forma destacada. Em HARDMAN (1994, p.546), encontra-se esta contextualização, ao relatar que a contínua presença da Educação Física no currículo apóia-se desde a antigüidade, na concepção Aristotélica de balanço harmonioso e em vários elos, com a preparação para as exigências da vida, da saúde, da melhoria da qualidade de vida, da socialização, da política, do militarismo, do nacionalismo, do conformismo, do controle social, tudo isso, por meio da promoção da obediência à autoridade, construção de caracteres e outros meios, implicando, com isso, que a Educação Física passou no teste do tempo.

Percorrendo a literatura, verificou-se em AZEVEDO (s/d, p.10) que nos idos de 1920, vigorava o dualismo artificial, entre o pensamento e a ação. A primeira reação a este dualismo, reinante nas elites intelectuais daquela década, partiu do Professor Fernando de Azevedo. Foi este professor o responsável pelo movimento em favor da Educação Física, no Brasil.

Este eminente escritor relata que nos idos de 1920, no Brasil, quase tudo estava por se fazer, a respeito da Educação Física, e ainda não havia a consciência do que ela representava para a cultura integral da personalidade, no plano nacional da Educação. Traz, em seu contexto, o referido autor, a reminiscência de que não havia, ainda, uma escola de Educação Física, assim:

Nenhum esforço para a formação cultural e profissional de técnicos e "instrutores", conforme então chamavam aos professores desse ramo da educação, como para significar, pelas diferenças de nomes (lente, professor, instrutor, mestre) uma gradação na hierarquia funcional, em cujo ápice se mantinham os que se dedicavam a atividades puramente intelectuais, ficando as de bases manual e mecânica degradadas a plano secundário (AZEVEDO, op.cit. p.13).

Contudo, as raízes da Educação Física, no Brasil, estão intensamente ligadas à escola.

Em 1852, na Província das Amazonas, foi exarado um regulamento para a instrução pública primária, que determinava dever à Educação Física compreender a instrução, juntamente com outras disciplinas.

Em 1854, foi expedido o regulamento da instrução primária e secundária, do Município da Corte, inserindo-se a ginástica nos currículos das escolas públicas de ensino primário (MARINHO, 1975, p.19-20).

O título de paladino da Educação Física no Brasil, proposto por Marinho, merece ser conferido a Rui Barbosa, devido a sua contribuição através de pareceres emitidos sobre as reformas do ensino. Quando cita Rui Barbosa, o eminente professor recorda que os pareceres tinham como contribuição as reformas "[...]para que, em nosso país se criasse uma mentalidade favorável à prática das atividades físicas quer sob a forma de ginástica, quer sob a de desporto ou exercício militar[...]" (MARINHO, op.cit, p.20).

Na Constituição de 10 de novembro de 1937, Art.131, a Educação Física, juntamente com o ensino cívico e o de trabalhos manuais, são considerados obrigatórios em todas as escolas primárias, normais e secundárias, não podendo qualquer escola, que ministrasse estes graus, ser autorizada ou reconhecida, sem satisfazer tais exigências (FARIA JUNIOR, 1987, p. 16).

Em 1915, no ginásio do Estado da Capital de Minas Gerais, foi criada a cadeira de Educação Física, por proposição de Fernando de Azevedo. Neste período, desencadeia-se intenso movimento, destacando-se o papel da Educação Física, no plano geral da Educação. Contudo, não se percebe esforço significativo, despendido para a formação cultural e profissional de técnicos e "instrutores", conforme, então, chamavam aos professores desse ramo de educação (AZEVEDO, op.cit., p.9).

Essa situação de inferioridade na hierarquia funcional, em relação aos que atuavam na área esportiva ou de Educação Física, os denominados "instrutores", em relação aos que se dedicavam a atividades puramente intelectuais, modificou-se, após o ano de 1939.

Em 17 de abril de 1939, foi criada, na Universidade do Brasil, a Escola Nacional de Educação Física e Desportos (ENEFD), por meio do Decreto-Lei n.º 1212, cujas finalidade se expressam no Artigo 1º.:

a) formar pessoal técnico em Educação Física e desportos;

b) imprimir ao ensino de Educação Física e dos desportos, em todo país, unidade teórica e prática;

c) difundir, de modo geral, conhecimentos relativos à Educação Física e aos desportos;

d) realizar pesquisa sobre a Educação Física e sobre desportos, indicando os métodos mais adequados à sua prática no país;

e) instituir centros de Educação Física, destinados à prática dos exercícios físicos e à disseminação das normas científicas a que deverão obedecer.

O Art. 2º determina os cursos oferecidos:

a) superior de Educação Física;

b) Educação Física infantil;

c) técnica desportiva;

d) massagem;

e) medicina aplicada à educação física e aos desportos.

A criação da escola, em nível nacional, veio ao encontro à necessidade de professores especializados, conhecedores dos fundamentos, dos métodos e das técnicas modernas de Educação Física. Acrescente-se, também, o conhecimento dos princípios e tendências gerais da Educação. Outrossim, requeria-se pesquisa científica para o conhecimento objetivo dos problemas inerentes à área. A fundação da Escola de Educação Física deveria suprir essa carência, bem como constituir-se no primeiro passo para formar um contingente de profissionais, de nível superior.

Contudo, nessa época, a Educação Física tem tratamento diferenciado, pois sua qualificação profissional especificava-se dos demais profissionais do magistério, isso em função da menor exigência ao acesso e durante todo o processo de qualificação. Somente em 1945, por meio da promulgação do Decreto Lei n.º 8270, equiparou-se a formação do professor de Educação Física a dos demais integrantes do magistério, com a modificação da estrutura do curso, que passou de dois para três anos de duração. Ainda, assim, existia a questão da habilitação para ingresso, distorção esta, corrigida somente em 1953, por meio da Lei n.º 1821, que alterou a questão relativa ao ingresso no ensino superior. Para o ingresso na ENEFD, foi exigido do aluno o diploma do 2º ciclo do ensino médio para prestação de exames vestibulares, "[...]o que representou substancial contribuição, no sentido da elevação do status da profissão" (FARIA JUNIOR, 1987, p.19). Finalmente, em 1969, a Resolução n.º 9, do então Conselho Federal de Educação, estabeleceu o currículo mínimo para os cursos de formação de Professor de Educação Física, incluindo-se matérias pedagógicas, comuns a todas as demais licenciaturas, tais como, Didática, Prática de Ensino, Psicologia etc., "[...]aproximando a formação deste profissional da dos demais. Restou ainda como diferença a duração do curso, uma vez que, até hoje, ainda se encontram escolas que ministram o curso em três anos"(FARIA JUNIOR, op.cit.,p.23).

Ao se rever os anais do desenvolvimento da Educação Física no Brasil, o que se pode observar, com amplo destaque, são as inúmeras mudanças pelas quais os profissionais desta área têm passado. Pode-se citar: a transformação de conteúdo da Educação Física Escolar; o crescente número de trabalhos e pesquisas na área; a quebra de preconceitos e paradigmas; o crescente interesse pela atividade física, que resulta em modificação e ampliação mercadológica, para os profissionais da área; e o crescente desenvolvimento das atividades, de caráter não-formal, nas quais predominam as bases do treinamento físico e desportivo.

1.2 - Delimitação e definição dos limites de atuação do profissional de Educação Física no mercado de trabalho.

Até 1987, a formação profissional restringia-se à graduação, aos cursos de licenciatura. Não obstante, os cursos de licenciatura devessem preparar os egressos para atuar na área do ensino em escolas de 1º e 2º graus (sic) (COSTA, 1988; MARIZ DE OLIVEIRA, 1988; MOREIRA, 1988), os currículos ofereciam e as Instituições ministravam uma série de disciplinas, adequadas à realidade da demanda de mercado, em área não-formal. Entende-se, para este estudo, que área não-formal abarca a não-pertencente à escola formal, ou seja, são as atividades físicas, em academias, clubes, associações, condomínios, hotéis e, inclusive escola, desde que elas sejam dinamizadas, fora da grade curricular.

Não há dúvida quanto à identificação da licenciatura, como área de conhecimento, formando e habilitando profissionais para atuar no ensino fundamental e médio.

O eixo norteador da atividade física, a partir da década de 60/70, deixou de se centralizar, nas escolas, e passou a se manifestar, com maior intensidade, no segmento não-formal. Neste período, iniciou-se, mais enfaticamente, a propagação da importância da prática da atividade física, com maior ênfase na década de 80, com a inserção da cultura corporal e como apelo social. A partir deste ponto, os egressos das escolas de Educação Física, mais enfaticamente, inseriram-se, também, no mercado não-formal.

Ao longo dos anos 80 surgem as discussões e debates, a respeito do currículo das Escolas de Educação Física, com solicitação e exigência para a adequação à realidade conjuntural.

Em 1987, o então Conselho Federal de Educação (CFE), objetivando nortear a questão curricular e da formação na área da Educação Física, aprovou o Parecer n.º 215/87 e a Resolução 03/87, expressando-se, assim, a respeito da problemática da Educação Física:

A verdade é que a Educação Física não tem sido pensada como um campo de conhecimento específico. A maneira como vem sendo concebida pela maioria das Instituições de Ensino Superior - que oferecem unicamente a habilitação a nível (sic) de licenciatura voltada para a área da Educação Física no ensino regular de 1º e 2º graus, sem maiores preocupações com os aspectos da pesquisa, muito tem contribuído para a descaracterização desses profissionais. Está aí, talvez, um dos problemas agudos para o desenvolvimento da Educação no Brasil .

Este Parecer, ainda não revogado, instituiu duas possíveis formações, em nível de graduação: a licenciatura e o bacharelado, com evidência na distinção entre o Bacharel (graduado em nível superior, para o exercício profissional na área de seus estudos), e o Licenciado (graduado em nível superior, cuja formação é direcionada para o magistério de 1º e 2º graus).

Trata-se, assim, de titulações distintas e específicas que, embora se desenvolvam dentro de uma linha de unidade, são diferentes tanto quanto à ênfase atribuída a cada uma das quatro áreas previstas, como quanto ao tratamento pedagógico das matérias que as compõem, tendo em vista o perfil desejado e a delimitação do campo profissional pretendido (CFE; p.177).

DELGADO (1998, p.5), assim se manifesta:

Essa mudança ainda não foi assimilada pelas universidades, porque a tradição dos cursos de licenciatura é muito antiga e as pessoas têm dificuldade em pensar de forma diferente. Um dos motivos para dificuldade de aceitação dos cursos de bacharelado é o temor que o oferecimento de dois cursos distintos possa trazer, ou aprofundar, a fragmentação da área. Tal preocupação é fruto da confusão que é feita entre a área de estudo e formação profissional. O conhecimento produzido por uma área de estudo pode ser utilizado por várias profissões, ou seja, de uma área derivar vários cursos de formação profissional, sem sua fragmentação ou perda de identidade.

O bacharelado passa a ser defendido, na literatura brasileira, com algumas interpretações diferenciadas. COSTA (1988) defende o bacharelado, enquanto reflexão e aprendizagem de como fazer ciência, em que interage com a licenciatura, na busca da formação total do profissional. NASCIMENTO (1994, p.66) resume, ao afirmar que "o bacharelado está caracterizado ao fazer ciência e o licenciado ao ensino de 1º e 2º graus". Autores, como MARIZ DE OLIVEIRA (1988), defendem o bacharelado como alternativa para os que desejam formação superior em Educação Física, sem contudo objetivarem atuar no ensino escolar de 1º e 2º graus.

FARIA JUNIOR (op.cit., p.29-30), ao se opor à proposta de bacharelado, serve-se de Araújo (1954) e o cita: "Defendemos a formação do professor de Educação Física como licenciado generalista apto a atuar nos sistemas formais (pré-escola, 1º, 2º e 3º graus) e nos sistemas não-formais - seja numa perspectiva de uma 'Educação Física Popular', seja numa perspectiva elitizante - clubes, condomínios, academias, etc.". Preocupa-se Faria Júnior com o risco da possibilidade de fragmentação da profissão, "[...]acarretando como conseqüência agrupamentos cooperativistas que terão de lutar pela regulamentação das profissões, criando privilégios e fechando cada vez mais o mercado de trabalho"(FARIA JUNIOR, op.cit., p.29).

Em verdade, a dicotomia entre os profissionais que atuam em atividades no ensino formal, e os que atuam na área não-formal (discussão conjunturalmente traçada entre a questão da licenciatura e bacharelado) não é moderna nem atual; remonta à Grécia Antiga, como nos relata o professor MARINHO (1984, p.221):

Na Grécia Antiga, no apogeu de sua cultura, isto é, no Século V a. C. - o chamado Século de Péricles - denominava-se ginasiarca o magistrado encarregado de dirigir os ginásios e de assegurar o serviço dos jogos gímnicos e ginasiarquia o seu ofício. O professor de ginástica para crianças chamava-se pedótribe (a forma pedótriba aparece em 1813, Morais). O mestre de ginástica tinha função inteiramente distinta da do pedótriba, pois incumbia-lhe o ensino aos atletas e ele era chamado  , denominação para a qual não temos equivalente em português.

A revisão de literatura indica que se está longe de chegar ao fim da discussão e do debate, a respeito da crise, na formação do profissional de Educação Física. Contudo, as direções indicam que a vertente do bacharelado tende a consolidar-se.

O CFE estabeleceu que se contemple a formação do profissional de Educação Física, em razão do mercado emergente, na medida em que se amplie sua formação específica para a área do ensino formal e outra, específica, para a área não-formal. São perfis diferentes.

Assim, no perfil profissional resultante dos cursos que visem ao Bacharelado, a Educação Física tem que ser pensada, antes de mais nada, como um campo de conhecimento específico, tratada com uma ampla visão crítica da relação entre o ser humano e o seu corpo e da forma como este deva ser consciente e cientificamente trabalhado, de modo indiviso, ou seja, sem a fragmentação normalmente observada da única preocupação para com o aspecto da atividade física (CFE; p.179).

O perfil do profissional que resulta da formação obtida, por meio de cursos de Licenciatura, em Educação Física, vem, principalmente, corresponder ao preparo de professores para o ensino de 1º e 2º graus. Estabelece o Parecer do CFE, "sem que lhes fique vedada, evidentemente, a atuação nas atividades extra-escolares ou fora da escola, em clubes, associações, centros comunitários etc."(grifo do autor).

Nessa exposição, o Conselho Federal de Educação não deixa dúvidas, quanto à função dos egressos das escolas de Educação Física e da responsabilidade de cada instituição em delinear o seu perfil. O conselheiro, ao anunciar o acima epigrafado (que o licenciado pode atuar em todas as áreas), prejudica toda a intencionalidade, quanto à diferença de formação definida, defendida e estabelecida, e contraditoriamente negada, ao final do parecer. Após estabelecer-se a importância de perfis, diferenciados para o licenciado e para o bacharel, define-se que o licenciado pode desenvolver as mesmas atribuições e atuações do bacharelado e, com isso, criou-se um novo paradigma. Os interessados em cursar Educação Física depreendem que, ao cursar somente bacharelado, estarão impedidos de atuar no magistério - área formal -, contudo cursando a licenciatura, a despeito de ser o perfil específico para o ensino de 1º e 2º graus, o diplomado pode atuar, tanto na área formal, como na não-formal. Constitui-se o Parecer, bem elaborado, consistente teoricamente, porém tornou-se inócuo, em virtude de que na conclusão haver-se indicado a atuação ampla, geral e irrestrita ao licenciado.

Independente deste impasse tudo indica que a consolidação profissional, dar-se-á, também, mediante a formação de bacharéis.

LIMA (1994, p.63) posiciona-se com muita propriedade a esse respeito:

A criação dos cursos de bacharelado em Educação Física permite, além do atendimento a um mercado de trabalho emergente e importante, eliminar a distorção dos cursos de licenciatura, que, preocupados com a formação de licenciados generalistas, têm formado profissionais despreparados tanto para atuarem na escola, quanto fora dela.

TANI (1996, p.38) manifesta-se, em relação ao bacharelado:

A implantação do bacharelado foi um importante passo no sentido da concretização de uma proposta de preparação profissional baseada em um corpo de conhecimentos. O objetivo precípuo de um curso de bacharelado é formar profissionais com o domínio do corpo específico de conhecimentos da área. Uma vez detentor desses conhecimentos, cabe ao bacharel transformá-lo em "Instrumento" de trabalho para solucionar problemas específicos que possam surgir em diferentes segmentos de sua atuação profissional.

MOREIRA (1988, p.265), ao abordar o bacharelado, comenta que "Isto não é um mal em si, revelando apenas um atraso histórico se comparado com outras formações profissionais, como por exemplo, matemática, química, biologia, física etc..., que há muito possuem o bacharelado, servindo a licenciatura apenas aos que se dedicarem ao ensino formal".

Outro indicativo da defesa do bacharelado pode ser constatado, por meio da oferta dos cursos superiores profissionalizantes, na área de atividade física, inicialmente introduzidos pela Universidade Gama Filho (UGF), no ano de 1998. Esses cursos originam-se da possibilidade propiciada pelo Art. 44, da Lei n.º 9394/96. Em sua essência, são cursos de bacharelado, que visam formação específica em determinada área do conhecimento, sem a necessidade de graduação.

Na área de graduação, em Educação Física, novo paradigma vem apresentando-se com fortes evidências de que as discussões que permearam a questão do bacharelado e da licenciatura, como dois cursos distintos, venham a constituir-se em um único curso, cuja formação poderá ser bacharel/licenciado, com currículo adequado às áreas de conhecimento formal e não-formal. Como exemplo, pode-se citar a proposta apresentada pela Fundação Cultural de Belo Horizonte (FUNDAC-BH), de criação do Curso de Educação Física, encaminhada ao Ministério da Educação e dos Desportos (MEC), para análise e obtenção de autorização de funcionamento (PINTO, 1997, p.855-856) .

[...]a FUNDAC-BH se propõe a formar o Licenciado/Bacharel em EF com competência política, filosófica, ética, técnica, pedagógica e científica, entendendo que: Licenciado é o profissional que atua como docente, administrador ou pesquisador no ensino formal (Educação Infantil e Ensinos Fundamental, Médio e Superior); o Bacharel é o profissional cujo campo de ação pedagógica, técnica e/ou científica abrange o âmbito não-escolar, ou seja, da Educação Física realizada em empresas, órgãos públicos, clubes, academias, clínicas, centros de saúde e lazer, associações comunitárias, hotéis, condomínios, shopping centers (p.855).

A seguir, em relação à criação do bacharelado, em Educação Física, esta proposta tem o entendimento que o mesmo "[...] representa um dos mecanismos de institucionalização de espaço de trabalho profissional de Educação Física, no Brasil, para além do campo formal de Licenciatura Plena".

A proposta apresentada, pela FUNDAC, é que se pretende formar o bacharel/licenciado em Educação Física, partindo-se do princípio de que todo profissional dessa disciplina é um educador que lida com a leitura e a compreensão da intencionalidade dos gestos, em dado contexto sociocultural-histórico.

Em virtude do que foi exposto na proposta, tudo indica que se os cursos fossem desvinculados, um do outro, a formação profissional de Educação Física estaria fragmentada.

A formação profissional deve contemplar um profissional que pense e veja as atividades físicas como fenômeno social, que seja capaz de contribuir para o desenvolvimento integral de indivíduos autônomos, críticos e cidadãos conscientes.

O parecer n.º 215/87 e a Resolução 03/87 não foram capazes de minimizar a questão da formação, face à demanda de mercado de trabalho. Constata-se, por parte das Instituições de Ensino, pouca preocupação com a delineação do perfil profissional, mesmo com as reestruturações curriculares adotadas. Tal constatação pode ser confirmada na pesquisa descritiva, realizada por BARROS (1998, p.12), ao analisar 23 currículos dos cursos de Educação Física, de Instituições de Ensino Superior do Estado de São Paulo. Os dados coletados e analisados permitiram concluir que "Considerando as possibilidades que a Resolução CFE 03/87 oferece, as instituições de Ensino Superior do Estado de São Paulo pouco fizeram para adequar os currículos dos cursos de graduação em Educação Física ao novo referencial proposto pelo parecer CFE 215/87 e aos novos perfis do mercado de trabalho".

O autor constata que houve apenas adaptações dos antigos currículos a novas normas, sem contudo provocarem as mudanças necessárias na formação de profissionais da área, para um mercado de trabalho, a cada dia mais exigente.

Resumindo, BARROS (op.cit, p.15) expõe que "os currículos tiveram suas cargas horárias ampliadas, foram acrescentadas algumas disciplinas da área de humanas, nomenclaturas de disciplinas mais atualizadas, mas a estrutura permaneceu a mesma". É mais incisivo, ainda, ao afirmar que:

O título, ou o grau de Licenciado continua sendo confundido com a formação necessária para o exercício da profissão que deve prestar relevantes serviços à sociedade na área da atividade corporal motora em outros espaços que não o escolar. A especificidade da função relacionada ao esporte não aparece claramente definida exceto em uns poucos currículos. Ou seja, não é sequer discutido a diferença entre a atividades do professor de 1º e 2º graus (sic) e o preparador físico, técnico esportivo, orientadores de exercício corporal nas academias, etc..

Em pesquisa concluída no ano de 1999 sobre "O novo currículo da formação de professores de Educação Física: implantação, desenvolvimento e perspectivas - 1988/1998", valendo-se da autoridade do eminente prof. Dr. Lamartine Pereira da COSTA confirma, em relação ao Parecer 215/87, que "os resultados demonstram que a Resolução 03/87 foi bem sucedida como um processo de desenvolvimento coletivo e não como um produto final conforme esperado na sua origem" (p.11).

Em relação aos Institutos de Educação Física superior o autor confirma que "não se ajustaram às inovações e demandas da profissionalização, privilegiando disciplinas e formações tradicionais" (p.11).

Como uma proposta renovadora, entende-se que as Instituições de Ensino Superior, em Educação Física, poderiam adotar uma graduação curricular, com áreas de concentração, ou aprofundamento de conhecimentos selecionados pela instituição, com fins de identificar-se o seu respectivo perfil e o do profissional que lhe cabe formar. Certamente, uma dessas áreas deve ser a do ensino, apostilando-se, no respectivo diploma de graduação, a expressão "licenciatura", para atender o aspecto legal, na atuação do ensino formal, sem o que o formando estará impedido de ministrar a disciplina, Educação Física, nas unidades escolares.

Essa alternativa foi debatida e acordada, em reuniões ao, longo de 1998, onde estiveram presentes diversos diretores e representantes das IES, do Estado do Rio de Janeiro, e a Associação dos Professores de Educação Física do Rio de Janeiro, da qual participou o autor deste trabalho. As reuniões decisivas foram realizadas no mês de dezembro, motivadas pela necessidade de apresentar-se uma análise da proposição das diretrizes curriculares para o Ensino Superior em Educação Física, apresentada pela Secretaria de Ensino Superior do MEC e disponibilizada na Internet.

Devido ao fato de o grupo discordar do que estava sendo apresentado, pela SESu, considerou-se pertinente firmar-se posição. Assim, foi elaborada e apresentada uma alternativa, calcada nos moldes e no formato, disponibilizada pela SESu, sugerindo-se a graduação em Educação Física, com áreas de concentração específica, em substituição à formação em licenciatura e em bacharelado.

Aquele que se graduar em Educação Física precisa ser um profissional de formação generalista, com embasamento humanístico, sólido e abrangente, em conteúdos de Educação Física, em todas as modalidades fundamentais. Assim, também, é a preparação adequada à aplicação pedagógica do conhecimento e de experiências em atividades físicas e de áreas correlatas, na atuação profissional, englobando os conhecimentos de um educador, pois a ação de educar deve estar presente, tanto na área formal, quanto na não-formal. Aquele que se graduar deve estar apto a dinamizar a disciplina escolar, inferindo-se, em sua diplomação, pelo menos, mais uma área de aprofundamento.

1.3 - Definição e conceituação das sub-áreas que poderiam compor o universo temático da área de Educação Física.

Em se tratando dos egressos das instituições superiores de Educação Física, deve-se considerar a compreensão e os pronunciamentos, a respeito da expressão "Educação Física", uma vez que diversos autores a consideram imprópria. Dentre eles, podemos citar Inezil Pena MARINHO (1984) e Manuel Sérgio Vieira e CUNHA (1991).

Um dos entraves que permeiam a "Educação Física" é a sua terminologia. Esta expressão teve e ainda tem um significado abrangente, que se exprime, como: prática de atividade física; disciplina escolar; esporte; recreação; e, muitas vezes, Educação Física, como sinônimo dessas atividades.

O estudo, em questão, fundamentou-se em definições de diversos autores, a respeito da compreensão do termo Educação Física. Para ilustrá-lo, foram selecionadas algumas fontes.

Da revista Corpo & Movimento selecionou-se as seguintes expressões :

- Educação Física é a arte e a ciência do movimento humano

- Educação Física é educação esportiva

- Educação Física é educação da condição física

- Educação Física é medida preventiva e de reabilitação

- Educação Física é o estudo do jogo

- Educação Física é desenvolvimento perceptivo-motor

- Educação Física é o estudo da energia humana.

Retroagindo-se no tempo, traz-se à tona, do Professor MAZZEI e TEIXEIRA (1967), a expressão - "Na atualidade, mais do que nunca, evidencia-se a necessidade crescente da prática racional e orientada da Educação Física, dos desportos e da recreação".

Da UNESCO (1978), retirou-se: "A prática da educação física e dos desportos é um direito fundamental para todos" .

Buscou-se na literatura vários posicionamentos, acerca do termo Educação Física, que aqui se apresenta em ordem cronológica.

O Manifesto Mundial de Educação Física, da Federação Internacional de Educação Física (FIEP) , assim se refere à expressão: "A Educação Física é uma ciência relativamente nova. Não poderá ser dogmática e fixada sobre certas técnicas ou formas pedagógicas". Estabelece o Manifesto que: "[...] a Educação Física deve constituir-se como uma ciência aplicada e autônoma, tendo o seu domínio próprio e os seus métodos específicos, podendo assim concorrer, por contribuições recíprocas, para o progresso das outras ciências humanas".

BECKER (1974, p.47), ao se referir à questão, apresenta seu posicionamento:

Hoje a Educação Física, científica e racional, tem por fim desenvolver e aperfeiçoar as qualidades físicas e morais do homem, isto é, dar ao corpo o equilíbrio das funções orgânicas, a harmonia das formas, a capacidade de resistência etc., e ao espírito, a têmpera do caráter, a dignidade da conduta e a nobreza de atitudes.

CAGIGAL (1974) menciona a limitação da expressão e a diversidade de entendimentos, colocações e interpretações da expressão Educação Física. Preconiza o autor que o objetivo da Educação Física é o homem em movimento. Defende, ainda, que o movimento humano é o objeto da Educação Física, e seu ângulo científico poderia ser nomeado de Kinantropologia.

MEDINA (1983, p.52-58), ao efetuar pesquisa com alunos, em fase de conclusão do curso de Educação Física, apresenta, aproximadamente, 40 diferentes pronunciamentos à indagação: "Em sua opinião, o que é Educação Física?". A seguir algumas das conceituações:

Maneira ideal de proporcionar bem estar físico e também mental a um indivíduo. Através da Educação Física o indivíduo além de se tornar mais saudável fisicamente está fazendo lazer, trazendo assim melhorias também para a mente.

Educação Física não desempenha um papel exclusivo de educar o físico, como o nome sugere, mas sim de auxiliar a educação em todos os níveis preparando o aluno para a vida em sociedade.

Eu acho que a Educação Física é uma disciplina onde o indivíduo tem a condição de preparar esportes corretamente, fazer ginástica e atletismo para um bom condicionamento físico e, até um desenvolvimento da saúde.

Em dado momento, a expressão Educação Física é tratada como se fosse um componente curricular; de outras vezes, como uma ciência, das mais abrangentes; em outras ocasiões, identifica-se como se ela fosse tratada como uma atividade e, ainda, em alguns casos, até como solução para os problemas cotidianos que afligem o Ser.

OLIVEIRA (1984, p.36) defende que o movimento é a característica essencial da Educação Física:

A característica essencial da Educação Física é o movimento. É movimento. Não há Educação Física sem movimento humano, e isto a distingüe das demais disciplinas. Os seus elementos são a ginástica, o jogo, o esporte e a dança. A simples prática dessas atividades não caracteriza a existência da Educação Física. O significado do verbo ser, para os objetivos deste livro, constitui preocupação básica. O que procuramos é a verdadeira natureza da Educação Física. A sua essência. Aquilo que realmente ela é. Enquanto processo individual, a Educação Física desenvolve potencialidades humanas. Enquanto fenômeno social, ajuda este homem a estabelecer relações com o grupo a que pertence.

O professor Inezil Pena MARINHO (op.cit.), há algum tempo, alertava para a questão de ser a denominação Educação Física, socialmente pejorativa e profissionalmente estigmatizada, ao que propôs uma terminologia alternativa que, por questões de preconceito e tradição, não foi aceita pela categoria profissional. A sugestão apresentada foi a denominação - Cinesiólogo. O professor defendeu o vocábulo cinesiologia por se tratar do estudo dos movimentos do corpo humano, ou do homem em movimento, e, cinesiólogo, a referência ao profissional da área.

Em 1984, houve o 1º Congresso Latino Americano de Educação Física, Desporto e Recreação, realizado na cidade de Tramandaí - RS, de 15 a 21 de abril, promovido pela Associação dos Profissionais de Educação Física do Rio Grande do Sul (APEF-RS). Neste evento, o professor Inezil Pena Marinho, ex-presidente da Associação de Professores de Educação Física, do Estado da Guanabara, fez o relato do debate com o professor Manuel Sérgio, do Instituto Nacional de Educação Física de Portugal. Este debate foi realizado em Brasília, promovido pela Associação dos Professores de Educação Física, da capital, quando se reforçou a necessidade de se modificar a denominação Educação Física, e de se adotar a expressão CINANTROPOLOGIA.

CUNHA (1991, p.24-25), também, denuncia que Educação Física é limitadora e estática "[...]sem uma teoria específica; sem uma articulação lógica de um conjunto de proposições dedutíveis e refutáveis que lhe dêem singularidade".

Manuel Sérgio Vieira e CUNHA (1992, p.100) discorre, em seu trabalho, a respeito da Ciência da Motricidade Humana (CMH), esclarecendo, "[...]em tudo faz referência ao corpo: ao corpo-memória e ao corpo-profecia, ao corpo-estrutura e ao corpo-conduta, ao corpo-razão e ao corpo-emoção, ao corpo-natura e ao corpo-cultura, ao corpo-lúdico e ao corpo-produtivo, ao corpo normal e ao corpo com necessidades especiais".

O filósofo português definiu a Ciência da Motricidade Humana (ou cinantropologia) como sendo a Ciência da compreensão e da explicação das condutas motoras, e que visa o estudo e constantes tendências da motricidade humana.

(...) se admitimos a existência de uma nova ciência do homem, a Cinantropologia (CMH) a qual abrangerá todas as condutas e situações motoras (tanto individuais como coletivas), desde o jogo, o desporto, a dança, os ritos individuais, até à reeducação e reabilitação, passando pela ergonomia, por qualquer tipo de destrezas e ainda pela conduta motora, pela comunicação motora e pela expressão corpórea em geral; se admitimos a existência de uma nova ciência, dizia, e se defendemos a sua originalidade - temos de partir em busca do discurso que a corporiza, a exprime e a desenvolve CUNHA (op.cit, p.152).

Quando faz alusão a substituir a nomenclatura Educação Física por educação motora, o mesmo autor (op.cit., p.159) cita: "Faz-se também a distinção entre a CMH e educação motora (que poderá substituir o termo Educação Física, já velho e gasto) entendendo esta como campo original e complexo da intervenção educativa desta ciência".

CAVALCANTI (1994, p.2) aborda a procura por uma nova identidade profissional e científica para a área da atividade física, do movimento humano: o homem em movimento. - "A literatura especializada já é abundante no que se refere à problemática do termo EF para definir o estudo da motricidade humana em toda sua abrangência".

O estudo apresentado por CAVALCANTI (op.cit, p.4) objetivou "[...]elaborar e apresentar uma matriz teórica para a Ciência da Motricidade Humana, na qual são explicitadas as inter-relações da estrutura epistemológica proposta como um corpo integrado de conhecimento e suas respectivas aplicações profissionais".

TOJAL (1994, p.13-14), ao escrever sobre a Faculdade de Educação Física/Unicamp, relata ter sido feita "[...] uma análise dos vários momentos de crise por que passou a Educação Física Mundial e brasileira e na FEF, observando-se em cada fase os autores que dela trataram e Manuel Sérgio com sua proposta de uma nova ciência da Motricidade Humana para a Educação Física [...]". Dada à complexidade de justificar a Educação Física, na universidade, restou afirmar que ela "deve procurar entender-se como ciência independente e autônoma e com um objeto de estudo que não ofereça dúvidas sobre os seus fundamentos lógicos, epistemológicos e existenciais" (p.96). O objeto de estudo na FEF/UNICAMP foi definido como a Motricidade Humana.

BARROS (1995) confirma que a área da Educação Física desenvolve e organiza seu corpo de conhecimento em torno do movimento humano que é seu objeto de estudo, afirmando que alguns autores denominam esse corpo de conhecimento de Ciência da Motricidade Humana.

TANI (1996, p.25-26) esclarece que a denominação Educação Física é muito restritiva e inadequada para expressar toda a abrangência dessa área de conhecimento. O autor reconhece a necessidade de uma área de conhecimento que vise estudar o movimento humano, de forma abrangente e profunda, em múltiplos níveis de análise. TANI tem sugerido o termo Cinesiologia, que a define como uma "área do conhecimento que tem como objeto de estudo o movimento humano, com o seu foco de preocupações, centrado no estudo de movimentos genéricos (postura, locomoção, manipulação) e específicos do esporte, exercício, ginástica, jogo e dança".

Expressa-se TANI (op.cit.), ainda, que em sua ordem, cabem os aspectos pedagógicos e profissionais à Educação Física, que se vale dos conhecimentos produzidos pelas diversas ciências. O autor dá ênfase à Ciência da Motricidade Humana, ou Cinesiologia, ou outro termo que venha significar a área do conhecimento, que se ocupe em estudar o movimento humano, de forma abrangente e profunda.

Debates e análises crítico-reflexivas avolumam-se e evoluem em teorias e fatos, contudo não existe, ainda, uma estrutura de sustentação para o reconhecimento da ciência da Educação Física.

PARLEBAS (1997, p.3) afirma ser necessário impulsionar uma disciplina original que examine as conseqüências da prática de atividades físicas sob o ponto de vista motriz. Defende ser fundamental desenvolver um campo de conhecimento autônomo e original para a Educação Física. Para o autor a ação motriz é o que dá identidade, unidade, finalidade e especificidade à Educação Física. É o denominador comum de todos os esportes, de todas as atividades físicas, sejam dança, expressão corporal, ginástica ou atletismo. O autor propõe que os profissionais que trabalham no campo da ação motriz sejam denominados motricistas.

LE BOUCH (s/d, p.65) afirma que o movimento é o único recurso que pode ser utilizado desde a vida intra-uterina até a velhice. O autor defende que o movimento é o elo condutor do desenvolvimento, em torno do qual se forja uma unidade corporal e mental da personalidade.

A psicocinética, é apresentada por LE BOUCH como uma ciência humana, aplicada, cujo objetivo é contribuir para o desenvolvimento da personalidade, tomando como base o movimento. "O objeto de investigação é o movimento como presença do corpo, no mundo, mediante uma conduta"(p.66).

BRACHT (1997, p.1514) manifesta-se a respeito da questão epistemológica da Educação Física, da seguinte forma:

Avoluma-se e cresce em qualidade a discussão em torno da caracterização científica da área da Educação Física (Ciências do Esporte; Ciências do Movimento Humano; Ciências da Motricidade Humana). A denominação da área se dá de forma diferenciada. No entanto, qualquer que seja a denominação, sempre está se referindo a uma tradição que teve como denominação o termo Educação Física (e anteriormente a esta, ginástica). Ou seja, todas se colocam como herdeiras do campo da Educação Física.

A Universidade Castelo Branco do Rio de Janeiro adota a seguinte definição para CMH:

A Ciência da Motricidade Humana é a área do saber, da Universidade Castelo Branco, que estuda de forma transdisciplinar, interdisciplinar e, também, através de mecanismos cognoscitivos da pré-compreensão, da compreensão fenomenológica e da explicação fenomênica as múltiplas possibilidades intencionais das condutas motoras do Homem, antropologicamente concebido, a partir de suas complexas necessidades e/ou carências de natureza: física/ biológica/ psicológica/ bioenergética; cultural/ social; humana ou, enquanto pessoa humana e transcendente, ou cósmica.

O movimento humano consciente e intencional deve ser estudado, analisado e aprofundado.

Faz-se necessária uma disciplina escolar, no ensino fundamental, à compreensão e ao significado deste movimento para a formação global das crianças e jovens, para seu desenvolvimento psicomotor, para sua compreensão do significado e relevância da prática de atividades físicas, na busca de uma melhor qualidade de vida. Esta disciplina, por toda sua tradição, já contextualizada, chama-se Educação Física e deve ser ministrada pelo professor de Educação Física, a quem cabe estudar, conhecer, e pesquisar, a respeito deste movimento.

1.4 - Análise comparativa entre as competências e exigências práxico/teórica para o exercício da profissão e nível de adequação formativa.

Redundante, após tudo o que foi escrito, é de se concluir que Educação Física não é uma ciência, nem, tão somente, uma atividade.

Pode-se depreender que a expressão Educação Física, comumente entendida como sinônimo de ginástica, atividade física, esporte e/ou prática generalizada de movimento consciente, não encontra respaldo epistemológico, muito menos na tentativa de firmá-la como ciência autônoma. A indicação é a de que está subentendido que Educação Física é uma disciplina escolar, e indica um profissional de Educação Física, que se vai valer das demais ciências para alcançar seus objetivos e finalidades específicos.

Deve haver na escola uma disciplina que trate do movimento humano, consciente e sistematizado. Há que haver um profissional, responsável pela dinamização do movimento humano, consciente e sistematizado.

A literatura e trabalhos publicados demonstram a importância desta disciplina na escola, disciplina esta que cuide especificamente da motricidade humana. GAYA et alii, (1997, p.XX), ao defenderem os programas de Educação Física escolar, estabelecem que os mesmos deverão:

[...]proporcionar oportunidades para que crianças e jovens vejam favorecidos os processos de maturação mediante um crescimento e desenvolvimento equilibrado dos sistemas orgânicos; adquiram o conhecimento, as habilidades, as aptidões e a compreensão para reconhecer os valores do exercício físico para a saúde; aprendam como adotar um estilo de vida ativo e manter um compromisso com a vida ativa e, é muito importante salientar, instrumentalizem-se para uma prática desportiva autônoma.

A prática de atividades físicas, em sua diversidade, atualmente, é uma necessidade, e está devidamente incorporada à cultura popular, por ser um direito de todos.

Os indivíduos, segundo COELHO (1997, p.129), "[...]passaram cada vez mais a buscar uma melhora na qualidade de vida pessoal e social, dedicando parte do seu tempo à prática sistemática de atividades que favorecessem a luta contra o sedentarismo e o estresse, na sociedade e no aperfeiçoamento da consciência corporal".

Movimentar-se é a palavra-chave para se alcançar e se manter o bem-estar e, neste entendimento, FEIJÓ (1992) afirma que movimento é a expressão do Ser: expressão física, expressão espiritual e expressão cultural.

Como se refere Almond (apud GAYA et ali, 1997, p. XX), "[...]o papel que joga o exercício físico na promoção da saúde e do bem-estar está assentado em evidências científicas que demonstram claramente as vantagens de exercícios adequados que se realizam freqüentemente e se mantêm durante toda a vida [...]" .

A procura pela prática de atividades físicas está em ritmo alucinante. As pessoas buscam descobrir o próprio corpo e o conhecimento da própria personalidade. Essa descoberta ocorre, tanto em nível pedagógico escolar, como em nível não-escolar. Para uma adequada descoberta do próprio corpo e da personalidade, é importante para as pessoas que as atividades físicas sejam orientadas por um profissional qualificado e habilitado.

A significância da atividade física está consolidada, inclusive, constitucionalmente expressa, como direito do cidadão. A atividade física visa o desenvolvimento e a manutenção do bem-estar biopsicossocial, e a conseqüente melhoria da qualidade de vida.

Na medida em que a Motricidade Humana foi considerada como de fundamental importância para o Ser, que a atividade física não é mais considerada como modismo, mas, sim, como uma necessidade básica e, também, como a necessidade do estudo da compreensão e da explicação das condutas motoras, assim caracterizada como fundamental e imprescindível à formação de profissionais, que obtenham conhecimentos indispensáveis à realização de seu trabalho, para atingir o indivíduo, de modo único, global e interativo.

Torna-se imprescindível a identificação de um profissional que dinamize suas ações, na compreensão do homem pelo homem; na compreensão, na explicação e no conhecimento das condutas motoras conscientes, que visem o desenvolvimento holístico, ou global. Que este profissional leve esse mesmo homem à consciência do seu corpo, da importância de sua interface, no espaço, e, ainda, com os outros homens. O profissional que conduza à percepção da relevância da prática permanente de atividades motoras (físicas) para manutenção, preservação e consolidação de vigor bio-psico-físio-sócio-cultural, do homem, simultaneamente; o desenvolvimento global do Ser (individual e social), para a construção de uma vida plena, de bem-estar e na busca de uma qualidade de vida total.

COELHO (1997, p.134) afirma que "[...]a atuação do Profissional de Educação Física não está mais restrita somente à escola, tendo sido ampliada para a área não-formal. Entretanto, esta área apresenta-se, constantemente desprotegida e vulnerável à interferência de pessoal não habilitado profissionalmente".

A objetividade da prática de atividades motoras expressa-se em todos os momentos da vida do indivíduo, desde o seu nascimento. Portanto, a ação profissional, específica, deve ser feita e sentida, em diferentes momentos:

1 - São ações pedagógicas, no sentido de ensinar e educar práticas, métodos e atividades, tanto em nível formal (escolar), quanto em não-formal (desvinculado do ensino escolar formal), visando o desenvolvimento das faculdades motoras, imanentes ao indivíduo.

2- São ações orientadoras, divulgadoras e fomentadoras de práticas de atividades físicas, excluídas as terapêuticas, para as quais há profissionais específicos, habilitados legalmente. Neste segmento, identificam-se algumas ramificações, voltadas a:

2.1- lazer (esportivas, socializantes, recreativas);

2.2- desenvolvimento do bem-estar pessoal;

2.3- recuperação do vigor físico;

2.4- treinamento visando o desporto de alto rendimento;

2.5- profissionalizantes.

Os profissionais que atuam no segmento não-formal, na visão de COELHO (op.cit, p.136), devem preocupar-se com:

[...]os aspectos morais e éticos de sua atividade profissional, com uma reflexão crítica sobre o modo como respeitar a si mesmo e, aos parceiros no trabalho, sejam colegas ou praticantes. Necessita ter capacidade para distinguir uma boa prática e uma prática inaceitável. Enfim, professores reflexivos que entendam a dimensão de trabalhar com corpos humanos, corpos que acumulam virtudes e sensibilidades no trato com os outros, e não com máquinas desprovidas de sentimentos que ao se quebrarem consertam-se depois.

O autor (p.100) ainda sugere que:

[...]as Faculdades de Motricidade Humana (FMH), devam preparar licenciados (ou mestres ou doutores) e não ministrar cursos abreviados e aligeirados para profissões de segunda ordem, coonestando o oportunismo, a ignorância, o nivelamento por baixo. Por outro lado, não devem outrossim, essas faculdades reduzirem-se à simples condição de escolas de formação de pessoal docente, pois devem também cobrir outros domínios, como a investigação, a organização e o treino - no desporto, na dança, na ergonomia, na educação especial e reabilitação, no jogo desportivo típico do lazer e a recreação e na motricidade humana.

Existem, no Brasil, as Instituições Superiores de Educação Física, objetivando proporcionar formação profissional, no segmento do movimento humano, consciente e sistematizado. Os egressos dessas instituições, denominados de profissionais de Educação Física, são os qualificados para atenderem o "Ser" em toda sua plenitude.

O profissional de Educação Física realiza suas ações, na compreensão do homem pelo homem, na percepção, na explicação e no conhecimento das condutas motoras conscientes.

O profissional de Educação Física estuda, a fim de se tornar responsável pela dinamização da conduta motora do homem, visto sob perspectivas de seu desenvolvimento, aprendizado e performance.

O profissional de Educação Física é uma exigência do tempo em que se vive, atualmente.

A atuação profissional, deveria levar o indivíduo a preocupar-se com: a dimensão da motricidade humana, consciente e sistematizada; inteirar-se dos conhecimentos específicos de sua função social; atuar com o indivíduo-fim como um todo, como um ser único - inseparável corporal, espiritual, mental e socialmente organizado; valer-se da motricidade humana, esta nova tendência, que lhe permitirá, juntamente com as demais ciências, dinamizar seu trabalho e fomentar condições de melhoria da qualidade de vida do indivíduo.

Os profissionais devem possuir a capacidade de transmitir as habilidades de executar atividades motoras às pessoas, com o objetivo de levá-las ao pleno desenvolvimento de suas capacidades motoras.

Os profissionais de Educação Física são formados para atuar de forma a levar os indivíduos a experiências de auto-descoberta, auto-realização, a serem criativos e prospectivos, enfim, levar as pessoas a saberem ser, mais do que a saberem fazer. Os meios pelos quais os profissionais devem valer-se para que cada indivíduo constitua-se em um cidadão pleno, são os mesmos que os levaram a se transformarem no profissional que atua na área de Educação Física, isto é, a prática do estudo.

Esta dissertação está em consonância com a orientação do programa de mestrado, da Universidade Castelo Branco, para a qual a Motricidade Humana é tema central da Educação Física.

Ao constatar-se o fato de que Educação Física não é ciência, não é só atividade, e não é desporto, e, ainda, na projeção dessas questões, já abordadas, neste trabalho, pode-se inferir que o termo Educação Física expressa uma disciplina curricular - Educação Física escolar, e uma profissão - Profissional de Educação Física, conforme apresentou o autor deste estudo (STEINHILBER, 1996) .

TANI (1996, p.32) defende que a Educação Física "caracterizaria uma área de pesquisa eminentemente aplicada, de preocupação pedagógica e profissional, cujos conhecimentos serviriam de base para a elaboração e de desenvolvimento de programas de Educação Física em nível formal (escolar) e não-formal".

A pesquisa que se está desenvolvendo trata diretamente deste profissional, em Educação Física, e os resultados acenderão algumas luzes e abrirão algumas portas.

1.5 - Objetivo do estudo

O objetivo do presente estudo é o de averiguar e analisar a inserção mercadológica dos egressos das instituições superiores, de formação em Educação Física, do Estado do Rio de Janeiro, formados entre 1986 e 1997.

1.6 - Justificativa do estudo

O estudo justifica-se pelas dúvidas existentes, quanto à inserção mercadológica dos egressos de Instituições de formação de profissionais de Educação Física.

Alguns trabalhos relatam o interesse dos estudantes, das instituições superiores de Educação Física, que dão prioridade à atuação, no segmento não-formal. Dentre eles, pode-se destacar o de TRINDADE (1996) .

1.7 - Relevância do estudo

Este trabalho é importante, porque possibilitará que as instituições de ensino venham conhecer a colocação profissional de seus egressos, nas diversas áreas de atuação profissional. Poderá, também, favorecer uma possível reformulação curricular, examinar os conteúdos das disciplinas e, até mesmo, auxiliar na definição do perfil específico das instituições.

É um trabalho que se reveste de significância social e científica, ao estudar-se, de fato, a inserção mercadológica dos egressos das escolas de Educação Física; levantar-se onde estão inseridos, mercadologicamente, esses profissionais. Isso feito, poderá constituir-se em material rico e em uma contribuição para nortear, analisar, mapear, aprofundar e, até mesmo, direcionar soluções para a crise de conceituação da Educação Física. Pode, ainda, este trabalho contribuir para as transformações que se apresentam necessárias para consubstanciar o reconhecimento da Ciência da Motricidade Humana, da disciplina Educação Física escolar, e do profissional de Educação Física.

Cientificamente, o trabalho torna-se importante, pois, ao que tudo indica, é o primeiro estudo, no Estado do Rio de Janeiro, realizado com a finalidade de discutir a inserção mercadológica, na amostra pesquisada, de profissionais de Educação Física, com o intuito de lançar novos questionamentos e de promover novas reflexões, a respeito dessa importante questão. Além disso, abre-se a possibilidade de novos estudos sobre a questão da formação profissional em Educação Física e da adequação desse profissional para atuar no mercado de trabalho.

Revisando a literatura nacional, foi possível identificar-se dois estudos, acerca do problema que se propôs investigar. OLIVEIRA (1988, p. 228-229) relata pesquisa realizada com os ingressantes ao curso de licenciatura, da Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo, em 1983 e 1984, e RESENDE e FERREIRA (1984) investigaram o espaço profissional, ocupado pelo licenciado, em Educação Física, no Município do Rio de Janeiro.

O presente trabalho torna-se importante, também, porque há de servir para que novos estudos sejam levados a efeito, reexaminando-se a questão da oferta de licenciatura, bacharelado, licenciatura/bacharelado e, até mesmo a implantação de cursos de pós-graduação e de extensão, em cursos de Educação Física.

1.8 - Hipótese e problema do estudo

A hipótese substantiva do estudo foi a de se investigar a veracidade do senso comum, vigente e afirmador, de que os egressos dos cursos de formação em Educação Física trabalham um maior número de horas, mensalmente, em área não-formal.

O problema que norteou a pesquisa é assim redigido - "Onde se inserem os egressos das Instituições Superiores de Ensino no mercado de trabalho?".

1.9 - Questões do estudo

O trabalho foi concentrado na averigüação da situação profissional da amostra, quanto ao número de horas semanais trabalhadas, na área formal e na não-formal; na distribuição da inserção mercadológica, segundo o ano de formatura; quanto à facilidade para ingressar no mercado de trabalho e quanto à remuneração dos profissionais, na área formal e na não-formal, inclusive, visando identificar-se em qual segmento o profissional tinha melhor remuneração.

1.10 - Delimitação e limitação do estudo

A delimitação do estudo abrange os egressos das Instituições Superiores de Educação Física do Estado do Rio de Janeiro, levando-se em conta os que se formaram, entre 1986 e 1997.

Em relação à limitação da pesquisa que foi realizada, mediante o levantamento de dados, colhidos por meio de questionários aplicados aos sujeitos, com questões acerca da atuação profissional, obstáculos foram encontrados, principalmente relativos ao cadastro dos formados, que deveriam ser fornecidos pelas instituições superiores, assim como, o retorno dos formulários, endereçados aos egressos das Escolas de Educação Física.

CAPÍTULO 2 - O PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA E O MERCADO DE TRABALHO

É consensual, hoje, a compreensão de que os egressos das escolas de Educação Física atuam, preferencialmente, e mais intensamente, na área não-formal, e que a remuneração nesta última é mais significativa. Contudo, há carência de pesquisa a este respeito. Trata-se de senso comum. Ao se revisar a bibliografia, constata-se que a maioria dos materiais publicados são relativos à pesquisa, cujos sujeitos foram os estudantes das instituições de Educação Física, ou em conteúdos escritos por notórios profissionais da área.

FARIA JUNIOR (1987, p. 24), afirma:

A Educação Física, em sistemas não formais de educação, constituí hoje a maior parte do mercado de trabalho. Entretanto, aí o licenciado em Educação Física tem que enfrentar a competição com leigos (ex-praticantes - atletas amadores e profissionais; bailarinos, freqüentadores de academias, etc.); com diplomados em outros ramos (psicólogos, sociólogos, advogados, economistas, engenheiros, etc.) e com possuidores de registros (diplomados por instituições militares; possuidores de habilitação a nível de 2.º grau e de certificados de suficiência etc.).

Já OLIVEIRA (1988, p. 229) demonstra que dentre os ingressantes no curso de Educação Física da Universidade de São Paulo, nos anos de 1983 e 1984, aproximadamente 70% (setenta por cento) não tinham intenção de se preparar para atuar como professores, em escolas de 1º e 2º graus.

RESENDE e FERREIRA (1984), ao investigarem o espaço profissional, ocupado pelo licenciado em Educação Física no Município do Rio de Janeiro, verificaram que os mesmos atuam em diferentes atividades no mercado, exercendo, por vezes, concomitantemente, funções diferentes.

TANI (1996, p.14) afirma ser "[...]nítida a crescente redução de demanda por professores para atuarem nas escolas". As razões, motivações e hipóteses para tal fato requerem uma análise mais aprofundada, contudo, certamente o fator financeiro não pode ser rejeitado.

Com outro propósito, mas na mesma temática, TRINDADE (1996, p.26), ao estudar o perfil sócio-econômico e vocacional dos alunos de Educação Física, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, concluiu que a primeira preferência para a atuação profissional está ligada ao treinamento esportivo.

Em estudo, levado a efeito por AGUIAR (1997, p. 244) , com alunos dos últimos períodos do curso de Educação Física da Universidade Gama Filho, ao indagar "Por que os futuros professores de Educação Física, hoje, não estão optando por atuar na área escolar?", levantou como uma de suas hipóteses os fatores econômicos, pesando na escolha da atuação dos profissionais. A autora identificou que os fatores não estão restritos ao retorno financeiro, apontando, dentre outros, "[...]o modismo da qualidade de vida em ascensão, colaborando para a escolha de uma área onde o reconhecimento social se dê com maior rapidez e eficácia".

Andréa MORENA, na defesa de sua dissertação de mestrado, defendida em abril de 1996, na PUC-Rio, orientada pela Profa. Dra. Menga Lüdke, sob o título "Educação Física: de que profissão e de que profissional se fala?... Com a palavra, professores e alunos" afirma que muito poucos escolhem ingressar no curso de Educação Física, motivados pelo magistério. Pelo contrário, "Alguns, quando se davam conta de que seriam professores abandonavam o curso" .

MELO (1996, p.79), após realizar pesquisa com os estudantes de Educação Física do Estado de Santa Catarina, apresenta em suas conclusões: "O mercado alternativo é o mais atrativo dos campos de atuação e se constitui na maior expectativa para os estudantes de Educação Física, seguido do treinamento desportivo e do magistério".

SARTORI (1997), em sua dissertação ao curso de mestrado em Educação, da Universidade Estácio de Sá, confirma a tendência da diminuição de atuação dos profissionais de Educação Física, na área formal "[...]mais recentemente procura superar a crise com que se deparou o profissional docente, buscando corresponder a outras demandas sociais que se intensificaram, 'abrindo' outros campos para o exercício profissional" (p.33). O autor enfatiza, em sua pesquisa, a perda de prestígio do magistério e o rebaixamento dos salários, como fatores que levaram os profissionais a buscar outras alternativas de atuação.

Interessante e surpreendente, localizarem-se os problemas de baixos salários como terceiro fator, na opinião dos sujeitos participantes da pesquisa, quanto ao quesito: dificuldades encontradas para o exercício profissional. Os resultados numéricos que SARTORI apresentou foram:

• falta de regulamentação da profissão, 15,26%;

• falta de organização da categoria, 14,26%;

• baixos salários, 13,31%;

• falta de política e incentivo governamental para a Educação Física e esporte13,06%;

condições insatisfatórias de trabalho, 11,63%;

falta de adequação entre o que aprenderam na faculdade e as demandas do mercado de trabalho, 9,50%;

poucas oportunidades de emprego, 8,26%;

baixa motivação da população quanto à prática de atividades físicas, 7,29%;

falta de interesse dos alunos, 7,29%; outros fatores, 0,12%. (SARTORI op.cit, p.73).

Em pesquisa concluída por MAIA (1997), relacionando a formação profissional e a de mercado de trabalho dos egressos da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Piauí, no período de 1992 a 1996, os objetos do estudo foram: a) conhecer a realidade profissional dos formados nesse período; b) identificar o percentual dos que atuam na área formal e não-formal; c) saber quais as dificuldades que os formados encontraram; d) computar quantos estão fora da área de atuação de sua formação, além de se conhecer a relação, entre a formação recebida e o mercado de trabalho. Os resultados mostraram que há um descompasso entre a formação e a atuação profissional, visto ser o curso de licenciatura (relacionado à atuação nas escolas de 1º e 2º graus) e um grande contingente de egressos desses cursos atuar na área não-escolar (academias, clubes). Os resultados apontaram uma relação de 28,5% para 71,5%, respectivamente. Interessante, não ter sido identificada a remuneração como o fator determinante, dado que os profissionais de Educação Física, nas escolas, percebem melhores salários do que os da área não-escolar. A autora assinala que a "[...]razão mais convincente é a oportunidade de emprego, por haver uma expansão no mercado relacionado a uma maior procura por atividades físicas em academias e clubes" (p.3).

Em relação à divulgação a respeito dos cursos de Educação Física nas IES, cabe constatar a dicotomia entre a propaganda das universidades e de informes, a respeito da formação, e a impressão dos pesquisados, em relação a sua formação. Os investigados, em sua maioria, oriundos de cursos de licenciatura, confirmaram que a Escola preparou-os melhor para atuarem na área formal. Contudo, as propagandas relativas às Instituições, divulgaram uma abrangência bem maior. A publicação do concurso de seleção da UFRJ, em 1998, referente ao curso de licenciatura em Educação Física, expressa a formação para o exercício do magistério e "para desempenhar atividades de planejamento, coordenação e supervisão de atividades de Educação Física em Secretarias de Educação, clubes e outras organizações da sociedade civil".

A UGF informa, em seu material de propaganda, que os profissionais estarão habilitados a dinamizar atividades em clubes, personal training, academias e outros, o mesmo ocorrendo com a UCB.

Completando o quadro generalizado de informações relativas às instituições de formação em Educação Física, os guias-informativos aos interessados em analisar as diversas profissões e seus perfis, publicados em 1998, retratam a ótica popular de formação ampla, geral e irrestrita, relativos à área de formação em Educação Física.

A revista Guia Abril dos Estudantes, de 1998, estabelece duas profissões, situadas na área das Ciências Biológicas e da Saúde: a da Educação Física e do Esporte. Em relação à primeira, estabelece a revista que a preocupação com a saúde e com a boa forma modificou o perfil do professor de Educação Física. Reporta-se a mesma ao bacharel em Educação Física e apresenta uma enorme confusão, ao não fazer eco, separadamente ao curso de licenciatura. No quadro - "o que você pode fazer como bacharel em Educação Física", a revista apresenta o condicionamento físico, a consultoria e assessoria, os grupos especiais e, ainda, menciona o ensino: "ensino - com licenciatura, dar aulas em escolas de nível fundamental e médio; com mestrado, lecionar em faculdades".

O Guia das Faculdades e Universidades do professor Wagner Horta insere a Educação Física, também, na área das Ciências Biológicas, informando que a "Educação Física promove a saúde e a capacidade física das pessoas, por meio de atividades corporais e exercícios; prepara crianças e adultos para os esportes". A publicação não menciona, nem esclarece se o curso é de licenciatura ou de bacharelado e, ainda apresenta o mercado de trabalho tão abrangente que dá a ilusão aos interessados de se tratar de uma formação ampla, geral e irrestrita, e o texto não informa a respeito da limitação dos cursos de bacharelado e licenciatura.

CAPÍTULO 3 - METODOLOGIA

3.1 - MODELO DE ESTUDO

A tomada de decisão de como conduzir-se a presente investigação recaiu sobre o paradigma empírico-analítico, cuja estratégia foi um survey. De acordo com De Landssheere (apud FARIA JUNIOR, 1992, p.24), survey é um estudo extensivo, destinado a fornecer uma visão de conjunto de uma situação, de um conjunto complexo, considerado, em dado momento-transversal.

Uma vez que a intenção do trabalho consistiu em detectar-se e observar-se os fenômenos, e ao mesmo tempo, procurar descrevê-los, explorá-los, classificá-los e interpretá-los, para se conhecer a realidade sem manipulá-la, justifica-se a opção pelo modelo de pesquisa citado. Levou-se a efeito a investigação empírica, cujas observações se desenvolveram em condições pré-existentes, para a descrição final.

O estudo sistematizado permitiu controlar-se cada passo da coleta e racionalizar-se as informações.

3.2 - População e formato de seleção da amostra

A população que se pretendeu investigar constituiu-se dos egressos das Instituições Superiores, de formação dos profissionais de Educação Física, localizadas no Estado do Rio de Janeiro, no período compreendido entre os anos de 1986 a 1997. Para o estudo, tencionou-se trabalhar com uma amostra proporcional de egressos, segundo cada estabelecimento de ensino. Contudo, isso não foi possível. A despeito da era da informática, as faculdades não forneceram o número de formados, por ano de colação de grau. Acrescente-se a isso o fato de que mais da metade das instituições não forneceu, sequer o cadastro (nome, endereço e CEP). Essa variável impediu que se identificasse o número de profissionais formados, entre 1986 e 1997.

Diagnosticado esse entrave, modificou-se a intenção inicial, acima exposta, e adotou-se uma amostra indicativa, sem validade estatística. Para tanto, foi levado a efeito, na pesquisa, a estratégia de se buscar os dados, "in loco", ou seja, diretamente com os egressos.

Os dados permitiram constatar que no Estado do Rio de Janeiro localizam-se as seguintes instituições civis, formadoras de profissionais de Educação Física:

• Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ);

Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ);

Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ);

Universidade Castelo Branco (UCB);

Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO);

Universidade Gama Filho (UGF);

Universidade Estácio de Sá (ESTÁCIO);

Centro Universitário Moacyr Schreder Bastos (MSB);

 Faculdade da Cidade (CIDADE);

Faculdade Maria Thereza (FAMATH);

Fundação Oswaldo Aranha (FOA);

Universidade Nova Iguaçu (UNIG).

Esta última, recém-criada, ainda não formou profissionais na área de Educação Física.

3.3 - Instrumento

Com a intenção de se atingir o propósito do estudo, o instrumento de pesquisa adotado foi um questionário, constituído de uma lista de perguntas fechadas, que buscavam informações de ordem pessoal e que apresentavam questões sobre o tema a ser investigado. Nesse sentido, as perguntas versaram sobre a situação profissional do egresso (horas semanais de trabalho e salários, e, sobre a avaliação do currículo) (ANEXO I).

Com o objetivo de se garantir a validade e a credibilidade do instrumento, primeiramente, este foi submetido a uma banca de 3 (três) juízes para julgarem sua validade. Em seguida, a título de se averiguar a fidedignidade, empreendeu-se um estudo-piloto, sendo o instrumento testado em duas oportunidades; a primeira, no III Encontro de Atividades Físicas no Estado do Rio de Janeiro , realizado na cidade de Cabo Frio, e a segunda , com os egressos das Faculdades Integradas Maria Thereza, localizada no Estado do Rio de Janeiro, na cidade de Niterói, aos quais o questionário foi enviado pelo correio.

No III Encontro, foram distribuídos e recolhidos 22 questionários, entre os profissionais formados que participaram do evento.

Aos formados das Faculdades Integradas Maria Thereza foram postadas 50 correspondências, das quais retornaram, somente três.

Em que pese o baixo retorno na tentativa via-correio, cabe ressaltar que, em ambas as oportunidades do estudo piloto, não houve manifestação de dúvidas, quanto às questões apresentadas. A análise dos dados forneceu elementos para que o instrumento fosse encaminhado à amostra-alvo.

3.4 - Procedimentos de coleta de dados

A fim de se obter o maior número possível da relação dos formados por parte das instituições, foi firmado um termo de compromisso com a Associação dos Professores de Educação Física do Rio de Janeiro (APEF-RJ), entidade que congrega os profissionais da área, e reconhecida pela maioria dos diretores das instituições de formação.

O propósito do termo de compromisso foi no sentido de que a intermediação facilitasse a liberação do cadastro das respectivas IES. Em contrapartida, após a apresentação da dissertação, os dados ficariam à disposição da APEF-RJ para, em conjunto com a categoria, bem como com as IES, analisar, discutir e propor alternativas, que possibilitassem a melhoria da qualidade profissional.

A Associação elaborou um ofício explicativo da proposição da pesquisa, cujas cópias foram entregues, em mãos, aos diretores de Escolas de Educação Física, pelo presidente da Associação . Outras cópias foram encaminhadas pelo correio (ANEXO II).

Contudo, conforme se pode constatar, a despeito da preocupação do convênio, o resultado foi aquém da expectativa, ou seja, parte das IES não forneceu o cadastro.

O Centro Universitário Moacyr Schreder Bastos (MSB), as Faculdades Integradas Maria Thereza (FAMATH), a Universidade Gama Filho (UGF), a Universidade Castelo Branco (UCB) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) forneceram o cadastro completo.

Acredita-se que estas Instituições não se furtaram à colaboração, pelo fato de terem percebido a relevância do presente estudo. Aos egressos da MSB, FAMATH, UCB e UGF, o questionário foi remetido pelo correio, anexando-se correspondência do pesquisador com a informação, a respeito do propósito do levantamento, bem como uma solicitação de se colaborar para que os objetivos deste trabalho fossem atingidos (ANEXO III).

A UFRJ forneceu cadastro completo dos egressos, sem que constasse o ano de conclusão do curso. Apesar da colaboração desta instituição, foi impossível utilizar o cadastro, pois verificou-se que os egressos remontam a décadas, muito anteriores, àquela delimitada pelo estudo. Tentou-se um levantamento telefônico, contudo a maioria dos egressos não foi localizada no endereço que constava na relação.

As demais faculdades não forneceram o cadastro, sendo que algumas justificaram sigilo de informação, enquanto que outras ignoraram a solicitação.

A impossibilidade de se obter todas as relações dos egressos das instituições de ensino foi determinante para a coleta de dados, diretamente na fonte de trabalho dos profissionais de Educação Física.

Dado o retorno irrisório, e acrescido ao fato de que diversas instituições de ensino superior em Educação Física não colaboraram, deixando de fornecer a relação e endereços dos profissionais formados, foi necessária a aplicação do questionário, junto aos profissionais de Educação Física.

Em virtude dessa realidade, optou-se por coletar-se as informações de todas as formas que estivessem disponíveis, inclusive contando-se com a colaboração de colegas e estudantes, da área, que distribuíram e coletaram o questionário.

Foram de grande importância os eventos e os locais, em que possivelmente seriam localizados os egressos para o estudo no Estado do Rio de Janeiro. Eventos, tais como: o VII Congresso de Educação Física de Volta Redonda, realizado de 24 a 27 de Setembro, na Fundação Oswaldo Aranha - Escola de Educação Física; do evento realizado em Campos, I Jornada Campista de Atividade Física, no congresso de História, realizado na Universidade Gama Filho, em dezembro de 1998. E, ainda, em escolas de ensino fundamental, em academias e clubes, e, em cursos de pós-graduação e de especialização.

Essa estratégia permitiu o recolhimento de 306 questionários válidos, respondidos.

CAPÍTULO 4- APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Contemplando o objetivo proposto: - "averiguar e analisar a inserção mercadológica dos egressos das instituições superiores de formação em Educação Física, no Estado do Rio de Janeiro, formados entre os anos de 1986 e 1997", os dados coletados foram ordenados e as respostas, organizadas, para que se pudesse dar início à análise e à interpretação dos dados. Primeiramente, procedeu-se a classificação, ordenando-se os itens do questionário, dando-se ordem, às partes, e criteriosamente, alocando cada um. A seguir, os dados foram codificados e tabulados.

Inicialmente, far-se-á a descrição da amostra, constituída de 306 profissionais de Educação Física, tendo-se em conta as variáveis sexo e a instituição de origem dos respondentes.

GRÁFICO 1 - DISTRIBUIÇÃO DAS RESPOSTAS SEGUNDO VARIÁVEL INSTITUIÇÃO DE ORIGEM

Dos profissionais pesquisados, 60 são egressos da UCB, sendo 40, do sexo masculino e 20, do sexo feminino. A segunda maior incidência é da UGF, com 50 egressos do curso superior, 25, do sexo masculino e 25, do sexo feminino. Na seqüência, encontra-se a UFRJ, com 45 respondentes, dos quais 21 são do sexo masculino e, 24, do sexo feminino. Constata-se que das IES, que abriram o curso de Educação Física mais recentemente (Cidade, MSB, UNESA e FAMATH), o número de profissionais pesquisados foi bem menor.

Em seguida, apresenta-se a identificação da amostra, segundo a variável sexo.

GRÁFICO 2 - DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA SEGUNDO O SEXO.

Observa-se que, do total de 306 pesquisados, 165 são do sexo masculino, o maior percentual da amostra e, 141 egressos são do sexo feminino.

Assinale-se que este resultado apresentado no GRÁFICO 2 é em função da amostra estudada, visto que o censo brasileiro, de 1980, indica uma participação mais efetiva das mulheres, no curso superior de Educação Física, na ordem de 52,6% (ROMERO, 1997, p.148).

Em continuidade, estudou-se a variável faixa etária e os resultados permitiram construir o gráfico, que ilustra esses dados:

GRÁFICO 3 - DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA SEGUNDO A FAIXA ETÁRIA

Observa-se que a maior concentração de sujeitos, deu-se no intervalo, entre a faixa etária de 28 a 36 anos, representando 65% da amostra, sendo 34,6%, do sexo masculino e 30,4%, do sexo feminino.

Prosseguindo-se a análise dos dados, estudou-se a variável estado civil, e as respostas emitidas são apresentadas no gráfico, que segue.

GRÁFICO 4 - DISTRIBUIÇÃO DOS SUJEITOS SEGUNDO A VARIÁVEL ESTADO CIVIL

Analisando-se o GRÁFICO 4, constatou-se que o maior percentual, (49%), recaiu sobre estado civil "solteiros", sendo que desses, 26,5% eram do sexo masculino e, 22,5%, do sexo feminino. A seguir, viu-se que 139 respondentes eram casados, representando 45,4% da amostra. Nesse grupo, identificou-se 23,8% do sexo masculino e, 21,6%, do sexo feminino. Os que pontuaram "outros", perfizeram 5,6% da amostra, ou seja, 17 profissionais.

Na seqüência, analisou-se a formação profissional. Os resultados permitiram construir o GRÁFICO 5.

GRÁFICO 5 - DISTRIBUIÇÃO DOS SUJEITOS EM RELAÇÃO AOS CURSOS DE FORMAÇÃO

Verificou-se que na amostra de 306 egressos, 96,4% concluíram o curso de licenciatura. Isso eqüivale a 295 pesquisados, sendo que 158, do sexo masculino, com 51,6% e, 137, do sexo feminino, com 44,8% da amostra. Observou-se, também, que 6 concluíram o curso de licenciatura/bacharelado, perfazendo 1,9% da amostra estudada, e que 5 concluíram o curso de bacharelado, o que corresponde a 1,3%, do total de egressos estudados.

A amostra permitiu identificar-se os cursos de pós-graduação ou de extensão que os pesquisados concluíram.

Ao se estudar esta variável, verificou-se que dentre os 306 profissionais analisados, apenas 93 fizeram algum tipo de curso de atualização, o que corresponde a 30,4% da amostra. Analisando-se esses 93 sujeitos, constatou-se que 8 concluíram o mestrado, representando 8,6%, sendo 5, do sexo masculino e 3, do sexo feminino; 38 fizeram uma pós-graduação em nível de Latu-Sensu, sendo 23 profissionais, do sexo masculino e 15, do sexo feminino; e os 47 restantes, fizeram algum tipo de curso de extensão, sendo 32, do sexo masculino e 15, do sexo feminino.

Os dados revelaram, ainda, que a maior área de concentração dos cursos freqüentados, tanto na pós-graduação, quanto no curso de extensão, foi relativa a Treinamento Desportivo.

A representação gráfica pode ser assim visualizada:

GRÁFICO 6 - CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO OU EXTENSÃO

Outra preocupação do pesquisador foi fazer um cruzamento de variáveis, com o intuito de averiguar se os profissionais, que buscam aprimorar seus conhecimentos, estavam atuando na área formal, não-formal, ou em ambas. Os dados indicaram que os pesquisados que atuavam na área não-formal foram os que mais buscaram esse aprimoramento. A completa distribuição desses dados é espelhada na TABELA 1, que segue:

TABELA 1 - APRIMORAMENTO DOS PROFISSIONAIS PESQUISADOS

Constata-se que os profissionais do sexo masculino foram os que mais concluíram algum curso de atualização, de acordo com o levantamento dos dados.

Dando continuidade à análise, estudou-se a variável tempo de conclusão dos cursos, exposta no próximo gráfico.

GRÁFICO 7 - TEMPO DE CONCLUSÃO DOS CURSOS

Apurou-se que houve certo equilíbrio entre os pesquisados, não havendo nenhuma incidência significativa, quanto a conclusão dos cursos. Da amostra geral, 36 pesquisados graduaram-se em 1997, 40 em 1996, e 35 em 1989. Quanto à variável sexo, observa-se que na faixa dos graduados, em 1997, 1990 e 1989 foi maior o número de respondentes do sexo feminino, havendo igualdade em 1996, e nos demais anos (1995, 1994, 1993, 1992, 1991, 1988, 1987 e 1986) a incidência maior foi a do sexo masculino.

Para averiguação da hipótese do estudo, que foi assim formulada: "veracidade do senso comum, vigente e afirmador, de que os egressos dos cursos de formação em Educação Física trabalham maior número de horas, mensalmente, em áreas não-formal", fez-se necessário estudar-se a situação profissional, isto é o número de horas semanais, trabalhadas nas áreas formal e não-formal.

Os dados coletados permitiram identificar, de forma detalhada, a quantidade de horas trabalhadas, dos profissionais que atuam nas escolas públicas e particulares, bem como daqueles que atuam na área não-formal. Para melhor acompanhamento dos resultados, esses dados foram distribuídos, conforme seguem:

QUADRO 1 - DISTRIBUIÇÃO DOS SUJEITOS QUE ATUAM NA ÁREA FORMAL E NÃO-FORMAL.

O QUADRO 1, como se vê, representa o número de horas semanais, trabalhadas na área formal e na não-formal, permitindo que se proceda a uma relação entre as mesmas. A soma total de horas semanais na área formal foi de 4.275h, destas, 26,3% são de profissionais, do sexo masculino, enquanto que 15,1% são do sexo feminino. A soma total de horas semanais, na área não-formal foi de 6.043h, sendo 32,7% da amostra, do sexo masculino, e 25,9%, do sexo feminino. Isso eqüivale a dizer que é maior o número de horas semanais, trabalhadas na área não-formal pelos profissionais de Educação Física, da amostra pesquisada. O quadro demonstra, também, que, em relação à variável sexo, é mais expressiva a presença do sexo masculino, na área formal, com diferença de 11,2%, ao passo que, na área não-formal é tão somente de 6,8%.

No prosseguimento da análise dos dados, estudou-se a distribuição de inserção mercadológica, segundo o ano de formatura. Os resultados são como seguem:

QUADRO 2 - DISTRIBUIÇÃO DA INSERÇÃO MERCADOLÓGICA SEGUNDO O ANO DE FORMATURA

Essa distribuição confirma o resultado do QUADRO 1, o de horas semanais trabalhadas, que apontou ser maior o número de profissionais que atuam na área não-formal, no total de 131 dos profissionais pesquisados, representando 42,81% da amostra, (21,24% do sexo masculino e 21,56% do feminino). A segunda maior inserção está entre os que trabalham, simultaneamente, em escola particular e na área não-formal, no total de 54 profissionais, representando 17,64%, (10,45% do sexo masculino e 7,19% do feminino). Ao se agruparem as escolas públicas e particulares, pode-se contabilizar um total de 49 profissionais, atuando somente neste segmento. Isso representa 16,01%, da amostra.

Esse quadro permitiu identificar-se, outrossim, que 180 respondentes atuam, somente, em um dos segmentos da inserção mercadológica, ou, somente, na área formal; ou, somente, na área não-formal, representando, 58,82%, da amostra, (30,06% do sexo masculino e 28,76% do feminino). Dos pesquisados, 126 atuam, simultaneamente, na área formal e na não-formal, representando 41,18%, da amostra (23,86% do sexo masculino e 17,32% do sexo feminino).

Analisou-se, também, as respostas emitidas para as dificuldades encontradas ao ingresso no mercado de trabalho; os resultados permitiram construir o gráfico que segue:

GRÁFICO 8 - GRAU DE DIFICULDADE PARA INSERÇÃO MERCADOLÓGICA.

A maioria dos pesquisados demonstrou não haver tido dificuldade para ingressar no mercado de trabalho.

Pelo instrumento, pesquisou-se, também, as razões do abandono da área formal, e constatou-se que, apenas, 51 pesquisados responderam este quesito. As justificativas encontradas para o abandono da atuação na área formal foram:

a) baixa remuneração;

b) condições para o trabalho precárias;

c) material insuficiente;

d) adaptação inadequada;

e) desvalorização profissional;

f) desrespeito ao professor;

g) descaso dos diretores com a Educação Física;

h) motivação insuficiente;

i) distanciamento de perspectivas na carreira;

j) reconhecimento insignificante e;

k) sobrecarga de trabalho.

A letra a) foi apresentada por 34 respondentes, a b) com seis incidências, a c), d) e) com duas incidências cada, e da f), em diante, apenas uma incidência.

Uma das questões formuladas foi sobre o rendimento auferido pelos pesquisados e os resultados permitiram construir o QUADRO 3, abaixo detalhado, constituído pela faixa de renda mensal no trabalho com área formal, especificamente com a Educação Física escolar, e no trabalho não-formal.

QUADRO 3 - RENDIMENTOS DOS PROFISSIONAIS 

Analisando-se o quadro verifica-se que, percentualmente, na faixa dos salários mínimos mais elevados (acima de 20, e na faixa de 16 a 20 salários mínimos) é significativa a melhor remuneração de salários por parte dos pesquisados que atuam na área não-formal. Também, a melhor remuneração recaiu sobre o sexo masculino. Observando-se as colunas dos percentuais, percebe-se uma certa vantagem, a favor dos respondentes do sexo masculino em praticamente todas as faixas salariais.

Em relação aos rendimentos, o pesquisador teve a preocupação de verificar a relação direta, entre os egressos, quanto ao quantitativo dos que auferiram maiores salários, na área formal, ou na área não-formal e quanto aos que ganham igual rendimento. Nesta averiguação, foi possível constatar que 180 profissionais atuam, em apenas uma atividade, representando 58,82%, da amostra. Destes, 30,06% são do sexo masculino, ao passo que 28,76% do sexo feminino. Os 126 restantes atuam em 2 (dois), ou mais segmentos de trabalho. Desses, fazendo-se a análise direta, dentre os que responderam qual a sua faixa de renda mensal, auferida no trabalho com a área formal e a auferida na área, não-formal, identificou-se que:

a) 40 pesquisados recebem igual rendimento, representando 13,1% da amostra (7,5% do sexo masculino, e 5,6% do sexo feminino);

b) 47 pesquisados informaram que auferem maior rendimento mensal, na área formal do que na área não-formal, representando 15,4%, da amostra, (9,2% do sexo masculino e 6,2% do feminino);

c) 39 pesquisados informaram que auferem maior rendimento mensal, na área não-formal do que na área formal, representando 12,7%, da amostra, (8,1% do sexo masculino e 4,6% do feminino).

Contudo, esse resultado inverte-se, quando se analisa a amostra como um todo, ou seja, verificando-se o salário hora-média dos profissionais que atuam na área formal e na não-formal.

Para se chegar a este dado, procedeu-se ao cálculo da média de cada faixa salarial, tanto na área formal, quanto na área não-formal, multiplicada pelo número de graduados na respectiva faixa, conforme segue:

QUADRO 4 – MÉDIA SALÁRIO MÍNIMO MENSAL – ÁREA FORMAL

Constata-se que a média de ganhos mensais, auferidos pela amostra pesquisada dos que atuam na área formal, é de 1.303 salários mínimos.

Em seqüência à análise explicativa, construiu-se um quadro relativo à área não-formal.

QUADRO 5 – MÉDIA SALÁRIO MÍNIMO MENSAL – ÁREA NÃO-FORMAL

Pelos cálculos, constata-se que a média de ganhos mensais, auferidos pela amostra pesquisada, dos que atuam na área não-formal é de 2.022 salários mínimos.

Para se poder calcular o valor-hora de cada segmento de trabalho foi necessário transformar em números de horas mensais trabalhadas, os resultados apresentados no QUADRO 1, relativo ao número semanal de horas trabalhadas na área formal, e na área não-formal. Esta transformação se fez, multiplicando-se por 4 semanas e meia os respectivos resultados, conforme segue:

a) transporte do resultado do número de horas semanais, trabalhadas na área formal = 4.275;

b) transporte do resultado do número de horas semanais, trabalhadas na área não-formal = 6.043;

Dando continuidade, transformou-se as horas semanais em mensais, conforme o procedimento acima relatado:

c) 4.275 X 4.5 = 19.237,5, representando o número de horas mensais, trabalhadas na área formal pelos pesquisados;

d) 6.043 X 4.5 = 27.193,5 representando o número de horas mensais, trabalhadas na área não-formal pelos pesquisados.

Ao se compatibilizarem os dados, pôde-se proceder ao cálculo identificador dos respectivos valores da hora trabalhada, dividindo-se a média de salários mínimos, de cada segmento, pelo respectivo número de horas mensais trabalhadas, conforme segue:

e) valor da hora trabalhada, área formal:

1.303 / 19.237,5 = 0,067 salários mínimos, por hora de trabalho, que, multiplicado pelo atual valor do salário mínimo, que hoje é de R$ 136,00, resulta em R$ 9,21, a hora de trabalho dos pesquisados, atuantes na área formal.

f) valor da hora trabalhada, na área formal:

2.022 / 27.193,5 = 0,074 salários mínimos, por hora de trabalho que, multiplicado pelo atual valor do salário mínimo, que é de R$ 136,00, resulta em R$ 10,11, a hora de trabalho, na área não-formal.

Ao se analisar e se comparar os resultados, identificou-se que o trabalho, na área não-formal, é ligeiramente melhor remunerado, do que na área formal, na relação média de R$ 10,11, por hora de trabalho, na área não-formal e R$ 9,21, por hora de trabalho, na área formal.

Detalhando-se melhor, os dados, foi feito um levantamento, por sexo, buscando-se identificar a possibilidade de diferenciação, nos rendimentos auferidos. Nesse sentido, foi construído o quadro que segue.

QUADRO 6 - SALÁRIO MENSAL SEGUNDO O SEXO

Os dados coletados permitem distribuir o salário, auferido por área e por sexo, da seguinte forma:

a) Cálculo da área formal. O QUADRO 1, já apresentado, expôs um total de 1.557 horas de trabalho semanais, despendidas pelos profissionais do sexo feminino. Para se identificar o valor da hora-aula foi necessário transformar-se esse total, em horas mensais, multiplicando-se por 4,5 semanas.

Assim tem-se: 1.557 X 4, 5 = 7006,5 horas mensais de trabalho, aferidos na amostra pesquisada.

Encontrou-se o valor de 478 salário mínimos mensais, como média auferida pela amostra do sexo feminino, conforme detalha o QUADRO 6, calculou-se o valor da hora de trabalho, dividindo-se este valor pelo número total de horas mensais, trabalhadas: 478 / 7006,5 = 0,068

Transformou-se este valor, em reais, multiplicando-se pelo valor do salário mínimo, vigente à época do presente estudo, que é de R$ 136,00 (U$ 76). Assim, o cálculo feito, foi: 0,068 X 136,00 = R$ 9,27 (U$ 5,20), por hora de trabalho.

O mesmo raciocínio e cálculo desenvolveu-se para a amostra do sexo masculino. Assim, retirando-se do QUADRO 1 os valores, obteve-se:

2.718 X 4,5 = 12231

825 / 12231 = 0,067

0,067 X 136,00 = R$ 9,17 (U$ 5,15) por hora de trabalho

Para se efetuar a comparação, procedeu-se, da mesma forma, com os dados da área não-formal.

b) Cálculo da área não-formal. O QUADRO 1 apresentou um total de 2.670 horas de trabalho semanais, despendidos pelos profissionais do sexo feminino. Para identificar-se o valor da hora-aula, foi necessário transformar-se esse total, em horas mensais, multiplicando-se por 4,5 semanas.

Assim, tem-se: 2.670 X 4, 5 = 12.015 horas mensais de trabalho, aferidos na amostra estudada.

Encontrou-se o valor de 790 salários mínimos mensais, como média auferida pelos respondentes do sexo feminino. Repetindo-se o procedimento adotado, anteriormente, os dados para os cálculos foram: 790 / 12.015 = 0,065

Novamente, transformou-se este valor, em reais, multiplicando-se pelo valor do salário mínimo vigente; R$ 136,00 (U$ 76). Assim, o cálculo foi:

0,068 X 136,00 = R$ 8,90 (U$ 5) por hora de trabalho

O mesmo raciocínio e cálculo desenvolve-se para o sexo masculino. Assim: 3.373 X 4,5 = 15.178,5

1.232 / 15.178 = 0,081

0,081 X 136,00 = R$ 11,03 (U$ 6,20) por hora de trabalho

Verificou-se que na área formal os valores foram praticamente os mesmos. Pode-se depreender que é pelo fato de que os salários pagos pelas instituições de ensino público são os mesmos pagos pelas instituições privadas, não havendo diferença de valores, percebidos entre os sexos.

Contudo, na área não-formal, pela inexistência de piso salarial, ou mesmo, pela inexistência de referencial formalmente estabelecido, identificou-se que os profissionais estudados, do sexo masculino, auferiram melhores salários médios, por hora de trabalho, sendo a diferença de R$ 2,13. No início da década de 80, ROSEMBERG (1982) afirmava que as diferenças de salário que se mantêm entre homens e mulheres independe do seu nível de instrução (em número de anos de estudo e em grau de ensino alcançado).

Dezessete anos são passados e constata-se que a situação ainda permanece.

A última questão estudada versou sobre a avaliação da formação do profissional em razão da pergunta: "na sua opinião, a escola na qual você se formou, preparou-o melhor, profissionalmente, para atuar nas áreas de", considerando as possibilidades apresentadas para as respostas: 1- correspondendo à discordância máxima; 2- correspondendo à discordância em parte; 3- correspondendo à dúvida; 4- concordância em parte e; 5- concordância total, construiu-se o seguinte quadro:

QUADRO 7 – AVALIAÇÃO DA FORMAÇÃO

Os resultados apontados no QUADRO 7 indicam que os egressos das Escolas de Educação Física apresentaram grau de concordância total maior, quanto à formação para atuar na área formal, com 161 incidências, representando 52,61% da amostra. Em relação à área formal, somando-se as 161 incidências de concordâncias total e as 89, de concordância em parte apura-se que 81,69% dos pesquisados concordam que as IES os preparam melhor para atuarem no mercado formal. No item relativo à área não-formal – segmento recreação e lazer, temos 72,22% dos egressos respondendo em concordância total ou em parte.

Constatou-se que 226 respondentes informaram que foram menos preparados para o segmento relativo ao personal training, totalizando 73,86% da amostra, e, em seguida, como menos preparados aqueles, relativos ao segmento da administração esportiva.

Ressalte-se que dos 306 sujeitos da amostra, nove não responderam este quesito.

CAPÍTULO 5 – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES:

5.1 - Conclusões

As interpretações que se seguem são relacionadas à população-alvo e têm aproveitamento apenas indicativo. A presente análise se refere, basicamente, a uma descrição quantitativa de características gerais de uma determinada amostra.

A hipótese levantada quanto à veracidade do senso comum, vigente e afirmador, de que os egressos dos cursos de formação em Educação Física trabalham um maior número de horas, mensalmente, na área não-formal, foi confirmada, visto que a maior incidência de atuação profissional recaiu na área da atividade física, não-formal, com uma diferença de 1768 horas, por semana;

 131 profissionais atuam somente na área não-formal, representando 42,87% da amostra;

Há um percentual significativo de profissionais que atuam na área formal e não-formal, com 126 pesquisados, representando 41,17% da amostra;

Somente 49 profissionais da amostra (16%) atuam, exclusivamente, na área formal;

A remuneração da atividade, auferida no trabalho com a área não-formal é maior que a da área formal, levando-se em consideração a comparação relativa a ganho, por hora trabalhada. Contudo, ressalte-se que no confronto direto, relativo aos profissionais que trabalham, tanto na área formal, quanto na não-formal, os mesmos informaram que auferem melhores salários na área formal;

Identificou-se que os ganhos auferidos pelo sexo masculino e pelo feminino são os mesmos na área formal, contudo na área não-formal os profissionais do sexo masculino recebem maiores salários médios, por hora de trabalho.

O mercado de trabalho é promissor, dado que 50,65% da amostra estudada informou não ter tido nenhuma dificuldade para ingressar no mercado de trabalho, enquanto 40,20% informaram terem tido pouca dificuldade;

Os sujeitos da pesquisa consideram que os estudos acadêmicos, durante a graduação, preparam-lhes melhor para atuar na área formal. Contudo, os resultados deste estudo indicam que a maior inserção mercadológica encontra-se na área não-formal. É significativo o diagnóstico de que apesar de a maioria dos egressos haver sido diplomada em licenciatura, isto é, em atuação na área escolar, apenas 16% dos respondentes atuam somente nesta área.

Esta pesquisa apresenta dados concretos sobre um tema que, até agora, apenas se intuía pelo senso comum, a de que os profissionais têm sua inserção mercadológica, em maior número de horas de trabalho, na área não-formal, e que a remuneração é também maior na área não-formal.

Face ao que se apresentou no Capítulo 2, o presente estudo, mediante o levantamento realizado na amostra indicativa, poderá servir para minimizar a crise na formação, que ocorre, quase que exclusivamente, pela licenciatura com carência de elaboração crítica. PELEGRINI (1988) afirma que do modo como a situação de formação profissional em Educação Física se encontra, os cursos oferecidos vão continuar formando um profissional que nem para trabalhar no ensino de 1º e 2º graus serve, pois sua formação não foi especificamente orientada para tal fim, quanto mais, para outras áreas de atuação profissional.

Diversos autores (FARIA JUNIOR; COSTA; MOREIRA, dentre outros) têm ressaltado que a formação oferecida em Educação Física é a licenciatura.

Os resultados do presente levantamento confirmam que os profissionais de Educação Física atuam e têm sua inserção mercadológica situada, mais intensamente, na área não-formal. Assim, o levantamento permite que se identifique certa distorção, entre a oferta de mercado, os interesses da sociedade e a formação oferecida pelos cursos superiores.

As discussões e debates, resgatados do suporte teórico, estão calcados na discussão da formação profissional, que nos últimos 10 anos, após a promulgação da Resolução CFE 03/87, cingiu-se nos defensores da licenciatura e nos defensores do bacharelado.

Poucas são as vozes conciliatórias, na busca de alternativas para solucionar o impasse. Em recente trabalho, COSTA (1998) demonstra que as grades curriculares pouco se diferenciam, em sua essência, de Instituto de Ensino para IES. Trata-se mais de mudanças de denominações de disciplinas oferecidas do que do conteúdo programático, mesmo nos cursos de licenciatura e bacharelado.

Conclui-se este trabalho, neste particular, levantando uma interrogação: São necessários dois cursos distintos para a formação superior em Educação Física?.

É certo e comprovado que, desde a antigüidade, dois profissionais distintos conduziam as atividades físicas, como já foi apresentado. O professor de ginástica para crianças, chamado pedótribe e o mestre de ginástica, que tinha função inteiramente distinta da do pedótriba, pois incumbia-lhe o ensino aos atletas e ele era chamado  , denominação para a qual não temos o equivalente em português. Hoje, sem dúvida alguma, a atuação profissional se faz na área escolar - formal e, na área não escolar - não-formal.

Com a promulgação da Lei n.º 9.696, de 01 de setembro de 1998, que regulamenta a profissão de Educação Física e cria o Conselho Federal e os Regionais de Educação Física, uma nova perspectiva se abre aos profissionais da área.

Se até então, o exercício profissional, principalmente na área não-formal, era permitido a qualquer pseudo-profissional, a partir dessa data, somente os egressos de curso superior em Educação Física poderão exercer a profissão pois, serão os únicos a terem condições de se inscreverem nos Conselhos Regionais, ressalvando-se os que até aquela data (01/07/98) tiverem seus direitos garantidos. Nesse sentido, aumenta a responsabilidade das IES.

5.2 – Recomendações:

Após todo esse trabalho, e, ainda, tendo em vista as novas questões pertinentes à Educação Física, condicionadas pela LDB, por resoluções do CNE, pela Lei n.º 9.696/98 e pelas diretrizes curriculares direcionadas ao ensino superior, sugere-se como recomendações que:

após ampla discussão e debate, a respeito da formação acadêmica, seja feita uma revisão curricular de conteúdos, por parte das IES;

sejam envidados esforços para compatibilizar a formação oferecida pelas IES e as solicitações e necessidades da sociedade;

o Conselho Federal de Educação Física atente para essa compatibilização e que promova a articulação necessária entre formação, pesquisa e exercício profissional;

 seja desenvolvida uma pesquisa aprofundada, a respeito da inserção mercadológica dos profissionais de Educação Física, em nível nacional, sob os auspícios do Conselho Federal de Educação Física;

sejam realizados outros estudos com dados de outros estados do país, cujos dados complementem os aqui levantados e se tenha uma visão macro da inserção mercadológica brasileira.

 Além das recomendações propostas, entende-se importante alertar que, para as próximas pesquisas sejam acrescidas questões relativas a:

- profissionais que trabalham em outra área além da Educação Física;

- profissionais que são empregadores e os empregados;

- emprego temporário;

- horas de trabalho na área do ensino superior.

ANEXO I


FORMULÁRIO LEVANTAMENTO DE DADOS

1- DADOS PESSOAIS:
Nome:
Endereço:
Bairro:                                           CEP:
Sexo: ( )masc  ( )fem     Data Nasc.___/___/___    Estado civil ______________
FORMADO PELA INSTITUIÇÃO _________________________________
Ano em que concluiu o curso:       (  ) licenciatura       (  ) bacharelado
Cursos de Pós Graduação: especificar qual(ais) e ano de conclusão.
____________________________________________________________________

2- SITUAÇÃO PROFISSIONAL:
2.1-  Quantas horas SEMANAIS você trabalha na área formal, educação física escolar, em Escolas Estatais? ___________
2.2-  Quantas horas SEMANAIS você trabalha na área formal, educação física escolar, em Escolas Privadas? _________
2.3-  Quantas horas SEMANAIS você trabalha ministrando atividades físicas na área não formal (academias, clubes, iniciação desportiva, musculação, personal training, dança, treinamento desportivo em escola etc.) ________
2.4-  Se você já atuou na área formal, educação física escolar, e não atua mais, sucintamente escreva a razão do abandono._______________________________

Do item 2.5 até 2.9 marcar apenas uma das opções apresentadas.
2.5- Você encontrou dificuldades para ingressar no mercado de trabalho?
 (  ) Nenhuma                    (  ) Pouca                     (  ) Muita
2.6- Atualmente, qual sua faixa de renda mensal auferida no trabalho com área formal, educação física escolar?
(  )Menos de 5 salários mínimos (  )5 a 10 salários     (  )11 a 15 salários
(  )16 a 20 salários   (  )acima de 20 salários  (  )não exerce atividade nesta área
2.7- Atualmente, qual sua faixa de renda mensal auferida no trabalho com a área não formal (academias, clubes, personal training etc.)
(  )Menos de 5 salários mínimos (  )5 a 10 salários     (  )11 a 15 salários
(  )16 a 20 salários   (  )acima de 20 salários  (  )não exerce atividade nesta área


3- AVALIAÇÃO DO CURRÍCULO
Por gentileza, considerando a questão abaixo apresentada, avalie cada item utilizando a escala de 5 pontos considerando que:
1 corresponde à discordância máxima;
2 corresponde à discordância em parte;
3 corresponde à dúvida;
4 corresponde à concordância em parte;
5 corresponde à concordância total.
Exemplificando: Se discorda em parte que a escola na qual você se formou preparou-o melhor profissionalmente para atuar na área não formal - segmento musculação, marque 2 entre os parênteses. Se concorda totalmente marque 5.

 Na sua opinião a escola na qual você se formou preparou-o melhor profissionalmente para atuar nas áreas de:
(  ) área formal (educação física escolar)
(  ) área não formal - segmento ginástica aeróbica, localizada ou alongamento
(  ) área não formal - segmento musculação
(  ) área não formal - segmento lutas marciais
(  ) área não formal - segmento dança
(  ) área não formal - segmento recreação e lazer
(  ) área não formal - segmento personal training
(  ) área não formal - segmento administração esportiva
(  ) outra. Qual __________________________________________________

ANEXO 2


ASSOCIAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
Av. Franklin Roosevet, 39, sala 1310 - Centro - CEP 22040-007 - Rio de Janeiro - RJ - Tel. 220-3778


Rio de Janeiro, 11 de maio de 1998.
Assunto: Pesquisa de egressos e Campanha de associados
Prezado Diretor,
Dando continuidade ao projeto de ampliação do movimento apefiano em nosso Estado, estaremos empreendendo uma pesquisa, junto a todos os egressos dos cursos superiores de Educação Física existentes em nossa região nos últimos 10 anos, com o propósito de identificarmos entre outras as seguintes situações: Que relação este indivíduo se encontra hoje com a profissão?  Quais são as suas expectativas em relação à profissão?  Quais foram as interferências que encontraram para o exercício da profissão?
Além do exposto estaremos também implementando a campanha de participação junto à nossa associação.
Para tanto, gostaríamos de contar com vosso apoio, informando-nos a relação nominal e endereços de ex-alunos que tiveram a felicidade de se formarem em sua honrosa instituição.
Sem mais para o momento, agradecemos antecipadamente.

Atenciosamente,
________________
Sergio Kudsi Sartori
Presidente

 

ANEXO 3

LEVANTAMENTO DOS EGRESSOS DAS ESCOLAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Prezado Colega:

Venho solicitar encarecidamente sua colaboração e auxílio para realizar trabalho de levantamento da situação dos egressos das Escolas de Educação Física da cidade do Rio de Janeiro nos últimos 10 anos, para um estudo em nível de pós-graduação (Stricto Sensu).

Muito se tem dito a respeito dos cursos de formação, sobre a inserção no mercado de trabalho dos profissionais de Educação Física, de sua significância social, da necessidade da Educação Física nas escolas, na incorporação cultural por parte da sociedade quanto à prática de atividades físicas e, da satisfação e insatisfação dos profissionais com os currículos das escolas de formação.

Para analisar de forma mais científica alguns pontos e abordagens, necessário se faz realizar levantamento de dados. Desta forma teremos condições de divulgar a realidade no que se relaciona a nossa profissão.

O objetivo do trabalho é:

Identificar a inserção mercadológica dos profissionais;

Observar a proporção de atuação na área formal e não formal;

Levantar o número de profissionais formados que não estão exercendo a profissão.

Sua participação é fundamental. Somente através do preenchimento e retorno do formulário anexo, teremos condições de retratar cientificamente a realidade.

Se desejar não precisa se identificar e/ou assinalar o endereço contudo, solicito que os demais dados sejam preenchidos.

Certo de contar com sua colaboração, apoio e boa vontade, aguardo o formulário preenchido, rogando rapidez no retorno a fim de não perder prazo para elaboração do trabalho final.

Maiores informações podem ser obtidas no tel: 205-0735

JORGE STEINHILBER

Rua Senador Euzébio 40/1001

Flamengo - RJ CEP: 22250-080

BIBLIOGRAFIA

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