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Publicada em: 21/6/2010 às 16h43m
Autor: Comunicação - CONFEF

Sobrepeso é epidemia em adolescentes do RJ, aponta estudo

Grave problema de saúde pública atinge a silhueta dos adolescentes cariocas: o sobrepeso. "Já podemos falar em epidemia. A ausência de políticas públicas contribui para a expansão da má alimentação", constata a nutricionista Letícia Pereira Cardoso, doutoranda da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fiocruz, que pesquisou hábitos alimentares de 1.632 alunos do Ensino Fundamental da rede municipal.

No estudo, 17,2% dos entrevistados, entre 13 e 19 anos, apresentaram sobrepeso ou obesidade. Problemas que estariam relacionados a má alimentação e falta de atividade física. Entre filhos de pais separados, o índice de sobrepeso (19%) é maior que entre adolescentes que vivem com pai e mãe na mesma casa (16%).

"Alguns estudos já documentaram que a presença da mãe ou responsável em algumas refeições, como café da manhã e almoço, aumenta a proteção contra o excesso de peso", explica Letícia. Ao se separar, a recusa em fazer o papel de pai ou mãe que 'cobra' alimentação saudável contribuiria para as estatísticas.

O editor de imagens e DJ Felipe Frék Hannickel, 26, sentiu o peso da segunda separação da mãe, em 1996. "Passei a ter dois pais, o biológico e o padrasto, e ambos me paparicavam. Frequentei muita praça de alimentação na adolescência."

"Cheguei a pesar 125 quilos até os 22 anos de idade”, conta. Vítima do efeito sanfona - engordava e emagrecia com frequência -, o DJ sempre perdia peso ao terminar um namoro. Há dois anos, ficou tão magro que procurou um especialista. "Aproveitei o emagrecimento repentino para manter o peso. Pior que a ex-namorada engordou um absurdo", conta ele, que espera ter vencido para sempre a guerra contra o ponteiro da balança.

O estudante Bernardo Vasques Nogueira, 16 anos, mora com pai, mãe, avó e irmã, mas não escapou da 'epidemia' constatada pela pesquisadora. Com controle alimentar e muito exercício físico, ele agora saboreia os quilos perdidos. "Após entrar para o Vigilantes do Peso, conheci outro Bernardo. Disciplina é tudo quando se trata de sobrepeso", disse ele, que pesava 106 kg há 14 semanas.

Após perder um quilo por semana, Bernardo está orgulhoso e aposta no futuro. "Depois da Copa, quero atingir a meta dos 80 quilos", avisou. "Minha autoestima se elevou. Sinto que as garotas passaram a me olhar de maneira diferente", comemora ele, que virou inimigo de achocolatados e comidas do tipo fast-food. "Detesto muito tudo isso. Agora a balança é minha amiga", brinca.

Especialista sugere mais estímulo físico na escola

Presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), Márcio Mancini acredita que o hábito de praticar atividades físicas deveria ser mais estimulado nas escolas. "Infelizmente, sabemos que a maioria das aulas de Educação Física serve apenas para cumprir o currículo escolar, sem despertar nos alunos o interesse pelos esportes", critica.

Na prática, Mancini sabe que o resultado da pesquisa da Ensp, da Fiocruz, sobre a influência dos pais nos hábitos alimentares é fiel à realidade. "Pais que mimam muito são tão prejudiciais quanto os ausentes. Os primeiros fazem tudo o que a criança e o adolescente querem. Os outros pouco participam. Certo é: notou alguma anormalidade quanto ao peso? Procure um especialista."

Para a psicóloga Juliana Nobre, especialista em transtornos alimentares, os pais podem até perder o controle, mas têm chances de recuperar o tempo perdido, mesmo que estejam separados. "É questão de dividir a responsabilidade e ajudar a conscientizar o adolescente, que, muitas vezes, precisa só de um empurrãozinho para chegar lá e se tocar da necessidade de emagrecer. Quando acontece a mudança no corpo, o espírito se renova e ele se sente melhor, com vontade de se olhar no espelho", descreveu.

Fonte: Portal Terra

 

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